26.4.04
31.3.04
23.3.04
Passion II - The Ressurection
Trailler de cinema
Música de flauta, triste, lenta em escala oriental.
Tela escura, um gemido, a grande pedra que fecha a tumba rola para o lado. A luz do sol inunda um homem cabeludo, semi-nu e mutilado, que dá um enorme urro!
Música Tecno-Metal com percussão tribal, montagem rápida alucinante com inserts do Passion I, prego na mão, chicotadas, humilhações, a coroa de espinhos, em um estoboscópico flash-back.
Voz do narrador: Jesus está voltando! E dessa vez Ele está furioso!
(Jesus is back! But now He is pissed off! - Tecla sap desligada)
Um Jesus musculoso, bronzeado e cheio de cicatrizes entra no templo de Israel girando a sua Cruz de madeira como um giagantesco martelo.
– Profanadores! O templo de meu Pai deveria ser uma casa de oração!!
Jesus grita ensandecido enquanto derruba pilhas de moedas, arranca cabeças e derruba algumas colunas com violentos golpes do Lenho Sagrado.
A multidão grita:
– Oh, Jesus Cristo! Fujam, fujam, Ele voltou!
Narrador: Uma história de Vingança...
Caifás, o poderoso sacerdote judeu, briga com Jesus no topo do templo. Trocam golpes mortais enquanto saltam vários metros em câmera lenta. Caifás com seu chicote de tries pontas e Jesus com sua cruz. O chicote de Caifás se prende na cruz, Jesus a puxa e Caifás despenca do alto do templo.
Narrador: Uma história de Perdão...
Depois de derrubar centenas de soldados romanos Jesus encara Pilatos face a face.
Pilatos, chorando e recuando, suplica:
– Oh, agora reconheço que és realmente o rei dos Judeus! Oh, Jesus, perdoe-me!
– Sim, perdoar-te-ei, canalha!
Jesus vê Pilatos pelo buraco da chaga de sua mão. Lança sua coroa de espinhos afiados que, rodopiando, degola Pilatos. Jesus volta andando sobre a carnificina.
– Bem-aventurados os mortos, pois eles param de reclamar.
Narrador: Uma história de Milagres...
Jesus corre sobre as águas do lago tão rápido que derruba os botes dos pescadores.
Jesus tira intermináveis pães e peixes de dentro de um turbante.
Jesus serra um leproso ao meio dentro de um tronco oco de árvore.
Jesus gargalha enquanto Pedro se engasga com o vinho que bebia do odre em que julgava ter apenas água. Todos os discípulos riem junto. Pedro acaba por rir também.
Narrador: Uma história de Paixão...
Jesus todo ensangüentado, após a batalha final contra Herodes, enlaça Maria Madalena. pela cintura. Ela diz, afastando os longos cabelos dourados da face ligeiramente arranhada de Jesus:
– Você carregou essa cruz por muito tempo. Deixe-me confortá-Lo.
– Eu tenho uma chaga mais profunda que só você poderá curar, Madalena...
Os dois beijam-se apaixonadamente tendo ao fundo o Sol dourado sobre o Mar da Galiléia. Abraçados, ambos alçam os céus. Uma pomba voa ao redor dos dois.
Narrador: Paixão 2 - A ressurreição
com JC Van Damme, Steven Seagal, Charlton Heston, Sigourney Weaver, em um filme de Jon Woo, breve nos melhores cinemas.
Música de flauta, triste, lenta em escala oriental.
Tela escura, um gemido, a grande pedra que fecha a tumba rola para o lado. A luz do sol inunda um homem cabeludo, semi-nu e mutilado, que dá um enorme urro!
Música Tecno-Metal com percussão tribal, montagem rápida alucinante com inserts do Passion I, prego na mão, chicotadas, humilhações, a coroa de espinhos, em um estoboscópico flash-back.
Voz do narrador: Jesus está voltando! E dessa vez Ele está furioso!
(Jesus is back! But now He is pissed off! - Tecla sap desligada)
Um Jesus musculoso, bronzeado e cheio de cicatrizes entra no templo de Israel girando a sua Cruz de madeira como um giagantesco martelo.
– Profanadores! O templo de meu Pai deveria ser uma casa de oração!!
Jesus grita ensandecido enquanto derruba pilhas de moedas, arranca cabeças e derruba algumas colunas com violentos golpes do Lenho Sagrado.
A multidão grita:
– Oh, Jesus Cristo! Fujam, fujam, Ele voltou!
Narrador: Uma história de Vingança...
Caifás, o poderoso sacerdote judeu, briga com Jesus no topo do templo. Trocam golpes mortais enquanto saltam vários metros em câmera lenta. Caifás com seu chicote de tries pontas e Jesus com sua cruz. O chicote de Caifás se prende na cruz, Jesus a puxa e Caifás despenca do alto do templo.
Narrador: Uma história de Perdão...
Depois de derrubar centenas de soldados romanos Jesus encara Pilatos face a face.
Pilatos, chorando e recuando, suplica:
– Oh, agora reconheço que és realmente o rei dos Judeus! Oh, Jesus, perdoe-me!
– Sim, perdoar-te-ei, canalha!
Jesus vê Pilatos pelo buraco da chaga de sua mão. Lança sua coroa de espinhos afiados que, rodopiando, degola Pilatos. Jesus volta andando sobre a carnificina.
– Bem-aventurados os mortos, pois eles param de reclamar.
Narrador: Uma história de Milagres...
Jesus corre sobre as águas do lago tão rápido que derruba os botes dos pescadores.
Jesus tira intermináveis pães e peixes de dentro de um turbante.
Jesus serra um leproso ao meio dentro de um tronco oco de árvore.
Jesus gargalha enquanto Pedro se engasga com o vinho que bebia do odre em que julgava ter apenas água. Todos os discípulos riem junto. Pedro acaba por rir também.
Narrador: Uma história de Paixão...
Jesus todo ensangüentado, após a batalha final contra Herodes, enlaça Maria Madalena. pela cintura. Ela diz, afastando os longos cabelos dourados da face ligeiramente arranhada de Jesus:
– Você carregou essa cruz por muito tempo. Deixe-me confortá-Lo.
– Eu tenho uma chaga mais profunda que só você poderá curar, Madalena...
Os dois beijam-se apaixonadamente tendo ao fundo o Sol dourado sobre o Mar da Galiléia. Abraçados, ambos alçam os céus. Uma pomba voa ao redor dos dois.
Narrador: Paixão 2 - A ressurreição
com JC Van Damme, Steven Seagal, Charlton Heston, Sigourney Weaver, em um filme de Jon Woo, breve nos melhores cinemas.
22.3.04
O Mau Gosto do Bom Gosto
Parece que se a plebe ignara elege a Lya Luft como musa literária do momento, esse povaréu só pode ser imbecil e a obra da autora uma porcaria de mau gosto. No entanto eu gostaria de lembrar que Shakespeare era bem popular em seu tempo, Dostoievsky também, Vitor Hugo teve o maior funeral que já houve na França, Machado de Assis não foi exatamente um autor maldito.
Elegância e sofisticação são coisas muito raras. Beleza também, por premissa. Aquela história: "se todos fossem iguais a você... que tédio". A beleza tem que ser rara. Elegância, sofisticação e beleza são nobres ideais a serem perseguidos artisticamente. Nada contra. Muito pelo contrário. Quanto mais feio é o mundo que a gente vive mais a gente sente necessidade de beleza. Ou não? Não sei. O que eu sei é que essa elegância fica muito feia e escrota quando é apenas instrumento de discriminação dos Chiques & Famosos ou cercas de letrinhas dos apartheits VIPs.
E o Profundo Mau Gosto começa a emergir quando as pessoas usam as obras clássicas para segregar aqueles que não as conhecem. Eu conheço-o, vocês nã-ão! Nah nah nah nah nah!! :P
Desfilam a alta cultura como a alta costura. Gostam de ostentar os Sagrados Nomes com a cafonice de uma perua oxigenada exibindo uma bolsa da Louis Vouiton de 4 paus.
---
Quer um exemplo de Louis Vouiton da alta cultura? Música Trovadoresca. Um mancebo pode colocar em seu seletíssimo perfil pessoal que um de seus hobbies é Música Trovadoresca e Música de Corte Medieval. Não parece bonito, elegante, super-sofisticado? Pois, lamentavelmente, não é. É um porre e chato pra dedéu. Baixe você mesmo aqui. (se tiver muuuita paciência veja essa página com midis aqui) Eu espero. Não vou sair daqui mesmo. ... Pronto? E aí, o que achou? Não é até meio irritante? Tem coisinhas melhorzinhas por aí mas na média é mais ou menos isso aí mesmo.
Tirando a louvável função de registro histórico pra que mais alguém teria como hobby escutar uma coisa dessas? Ela poderia servir talvez de música de fundo pra festinhas a fantasia ou para dar ambiente à uma corte ou taberna num RPG, sei lá, algo assim. O começo da polifonia é curioso apenas para o pesquisador. Harmonicamente e melodicamente são de uma pobreza muito grandes. Tudo que a gente conhece hoje como Música Clássica foi feito para fugir exatamente desse tipo de música.
Isso não é sofisticação, é mais uma bolsa Luis Vitão. Paque 4 paus por ela se quiser. Eu continuo de samsonite.
---
– Oh, mas você não conhece Nietzsche!?!?!?
– Até conheço, mas achei que você estava só espirrando.
Elegância e sofisticação são coisas muito raras. Beleza também, por premissa. Aquela história: "se todos fossem iguais a você... que tédio". A beleza tem que ser rara. Elegância, sofisticação e beleza são nobres ideais a serem perseguidos artisticamente. Nada contra. Muito pelo contrário. Quanto mais feio é o mundo que a gente vive mais a gente sente necessidade de beleza. Ou não? Não sei. O que eu sei é que essa elegância fica muito feia e escrota quando é apenas instrumento de discriminação dos Chiques & Famosos ou cercas de letrinhas dos apartheits VIPs.
E o Profundo Mau Gosto começa a emergir quando as pessoas usam as obras clássicas para segregar aqueles que não as conhecem. Eu conheço-o, vocês nã-ão! Nah nah nah nah nah!! :P
Desfilam a alta cultura como a alta costura. Gostam de ostentar os Sagrados Nomes com a cafonice de uma perua oxigenada exibindo uma bolsa da Louis Vouiton de 4 paus.
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Quer um exemplo de Louis Vouiton da alta cultura? Música Trovadoresca. Um mancebo pode colocar em seu seletíssimo perfil pessoal que um de seus hobbies é Música Trovadoresca e Música de Corte Medieval. Não parece bonito, elegante, super-sofisticado? Pois, lamentavelmente, não é. É um porre e chato pra dedéu. Baixe você mesmo aqui. (se tiver muuuita paciência veja essa página com midis aqui) Eu espero. Não vou sair daqui mesmo. ... Pronto? E aí, o que achou? Não é até meio irritante? Tem coisinhas melhorzinhas por aí mas na média é mais ou menos isso aí mesmo.
Tirando a louvável função de registro histórico pra que mais alguém teria como hobby escutar uma coisa dessas? Ela poderia servir talvez de música de fundo pra festinhas a fantasia ou para dar ambiente à uma corte ou taberna num RPG, sei lá, algo assim. O começo da polifonia é curioso apenas para o pesquisador. Harmonicamente e melodicamente são de uma pobreza muito grandes. Tudo que a gente conhece hoje como Música Clássica foi feito para fugir exatamente desse tipo de música.
Isso não é sofisticação, é mais uma bolsa Luis Vitão. Paque 4 paus por ela se quiser. Eu continuo de samsonite.
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– Oh, mas você não conhece Nietzsche!?!?!?
– Até conheço, mas achei que você estava só espirrando.
17.3.04
Pô, ninguém aqui vai defender a Bunda, não?
Tá certo. Então vou eu.
Não é justo dizer que a Bunda não tem argumento. Uma Bunda já é em si mesma tese, antítese e síntese.
As pessoas não atentam pra a franqueza de uma Bunda.
Uma Bunda é honesta, explícita. Ela permanece lá com sua atávica obviedade arredondante. A Bunda é uma coisa definitiva.
Vou dar um exemplo: se o George W Bushit abaixasse as calças e exibisse ao mundo seus glúteos anêmicos seria um recado muito mais claro do que ficar enrolando todo mundo dizendo que está preocupadíssimo com as ditaduras, armas químicas, e bla bla bla blu blu blu.
Se um locutor anunciasse: "Agora a mensagem do Presidente dos EUA ao Mundo" e o Bush mostrasse sua Bunda magrela em rede mundial tenho certeza que todos os cidadãos do Globo compreenderiam a honestidade do gesto e a clareza cristalina da mensagem.
Seria mais rápido, objetivo e deixaria, inclusive, mais tempo para os comerciais onde, aí sim, as Belas Bundas Bronzeadas poderiam voltar a sua tradicional função argumentativa na sociedade que é vender carros, álcoois e e baconzitos-churrasco para os sedentos coach-potatoes de todo o mundo. E todo mundo adora. É ou não é?
Uma boa palmada na Bunda de vocês!
Não é justo dizer que a Bunda não tem argumento. Uma Bunda já é em si mesma tese, antítese e síntese.
As pessoas não atentam pra a franqueza de uma Bunda.
Uma Bunda é honesta, explícita. Ela permanece lá com sua atávica obviedade arredondante. A Bunda é uma coisa definitiva.
Vou dar um exemplo: se o George W Bushit abaixasse as calças e exibisse ao mundo seus glúteos anêmicos seria um recado muito mais claro do que ficar enrolando todo mundo dizendo que está preocupadíssimo com as ditaduras, armas químicas, e bla bla bla blu blu blu.
Se um locutor anunciasse: "Agora a mensagem do Presidente dos EUA ao Mundo" e o Bush mostrasse sua Bunda magrela em rede mundial tenho certeza que todos os cidadãos do Globo compreenderiam a honestidade do gesto e a clareza cristalina da mensagem.
Seria mais rápido, objetivo e deixaria, inclusive, mais tempo para os comerciais onde, aí sim, as Belas Bundas Bronzeadas poderiam voltar a sua tradicional função argumentativa na sociedade que é vender carros, álcoois e e baconzitos-churrasco para os sedentos coach-potatoes de todo o mundo. E todo mundo adora. É ou não é?
Uma boa palmada na Bunda de vocês!
15.3.04
An Eye for an Eye
É ridículo ver os Fundamentalistas Cristãos rebolando para tentar explicar/entender seus exatos antípodas que são os Fundamentalistas Muçulmanos. Ambos, como se sabe, têm o monopólio da Verdade e cultuam o Deus Verdadeiro.
Eu de muito bom grado colocaria em uma grande arena o Hamas e simpatizantes junto com os "colonos" judeus e simpatizantes e deixaria eles se matarem à vontade. Os sobreviventes seriam executados. Gente que deseja morrer por uma causa tão idiota merece mesmo morrer. Mas por favor deixem nossos sistemas ferroviários inteiros.
Quando a esquerda dizia que a política do Olho por Olho deixaria todo mundo cego, a direita ridicularizava as bundas de fora pela Paz em todo mundo. E quem tinha razão afinal? As bundas. O Aznão espanhol foi à guerra contra a vontade da maioria da sua população. Hoje enterra seus cadáveres.
Eu de muito bom grado colocaria em uma grande arena o Hamas e simpatizantes junto com os "colonos" judeus e simpatizantes e deixaria eles se matarem à vontade. Os sobreviventes seriam executados. Gente que deseja morrer por uma causa tão idiota merece mesmo morrer. Mas por favor deixem nossos sistemas ferroviários inteiros.
Quando a esquerda dizia que a política do Olho por Olho deixaria todo mundo cego, a direita ridicularizava as bundas de fora pela Paz em todo mundo. E quem tinha razão afinal? As bundas. O Aznão espanhol foi à guerra contra a vontade da maioria da sua população. Hoje enterra seus cadáveres.
11.3.04
Procura-se cristão. Limpinho, educado e que durma no serviço.
"Os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca dos saduceus, reuniram-se; e um deles, que era doutor da lei, para o tentar, propôs-lhe esta questão: - "Mestre, qual o mandamento maior da lei?" - Jesus respondeu: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos."
(MATEUS XXII, 34 a 40.)
Esse é um trechinho famoso que me parece até bastante claro. Os fariseus, a turma judaica dos caga-regras, estavam sempre tentando pegar Jesus de calças arriadas (ou bata levantada, não sei bem). Jesus, de acordo com os evangelhos, costumava se sair muito bem, freqüentemente até com certo humor. Dessa vez Jesus resumiu sucintamente milênios de Judaísmo em dois mandamentos.
Amar a Deus sobre todas as coisas é fácil. Cada um constrói seu Deus como um amálgama de ideais e das coisas que ama e assim é óbvio que fica fácil amar esse constructo tão necessariamente adequado. Se Ele é vagamente semelhante a algo contido na Bíblia é secundário. Até aí tudo bem. Muita gente passaria pela prova desse primeiro mandamento.
Já esse segundo mandamento...
Eu cheguei a conclusão de que não conheço nenhum cristão. Nem acho que algum dia tenha conhecido. Só os da boca pra fora, claro. Esses têm em todo lugar, é pior que flamenguista. Mas cristão, cristão de verdade, nunca vi. Há lendas que tenham existido. Quem sabe? Você já viu algum? Um que ame o próximo como a si mesmo? Ou ao menos um que tente conscientemente, faça um esforço de amar o próximo como a si mesmo? Eu nunca vi.
Porém, mais difícil que encontrar esse tal Legítimo Cristão só mesmo descobrir o Verdadeiro Liberal. Isso sim é uma raridade que deveria ser exibido no Smithsonian. Ou os ossos expostos no Museu de História Natural de NY. Ou talvez até esse Verdadeiro Liberal fosse apenas uma fantasia literária do Adam Smith. Fica pra outro post.
(MATEUS XXII, 34 a 40.)
Esse é um trechinho famoso que me parece até bastante claro. Os fariseus, a turma judaica dos caga-regras, estavam sempre tentando pegar Jesus de calças arriadas (ou bata levantada, não sei bem). Jesus, de acordo com os evangelhos, costumava se sair muito bem, freqüentemente até com certo humor. Dessa vez Jesus resumiu sucintamente milênios de Judaísmo em dois mandamentos.
Amar a Deus sobre todas as coisas é fácil. Cada um constrói seu Deus como um amálgama de ideais e das coisas que ama e assim é óbvio que fica fácil amar esse constructo tão necessariamente adequado. Se Ele é vagamente semelhante a algo contido na Bíblia é secundário. Até aí tudo bem. Muita gente passaria pela prova desse primeiro mandamento.
Já esse segundo mandamento...
Eu cheguei a conclusão de que não conheço nenhum cristão. Nem acho que algum dia tenha conhecido. Só os da boca pra fora, claro. Esses têm em todo lugar, é pior que flamenguista. Mas cristão, cristão de verdade, nunca vi. Há lendas que tenham existido. Quem sabe? Você já viu algum? Um que ame o próximo como a si mesmo? Ou ao menos um que tente conscientemente, faça um esforço de amar o próximo como a si mesmo? Eu nunca vi.
Porém, mais difícil que encontrar esse tal Legítimo Cristão só mesmo descobrir o Verdadeiro Liberal. Isso sim é uma raridade que deveria ser exibido no Smithsonian. Ou os ossos expostos no Museu de História Natural de NY. Ou talvez até esse Verdadeiro Liberal fosse apenas uma fantasia literária do Adam Smith. Fica pra outro post.
5.3.04
3.3.04
Levantei com o pé esquerdo...
Vira e mexe emerge um mais engraçadinho repetindo "Sou marxista, da linha do Groucho!" Sempre se achando - oh divindades - tremendamente original. Pois façam um favorzinho, sim? Sigam a linha do Harpo e fiquem ao menos uma vez com a boquinha fechada. Obrigado.
1.3.04
26.2.04
Encyclopaedia Sinistra: Arte Bizantina.
O apogeu da feiura. A Arte Bizantina foi a arte mais horrorosa já produzida por História da Humanidade e provavelmente de toda a pré-história, incluindo os Australopitecos.
Pinturas de palhaços chorando se tornam obras-primas ao ser comparadas aos Ícones Bizantinos. Aquela estátua do Borba Gato começa a parecer extremamente elegante se comparada aos mosaicos bizantinos. Carnavalescos de escolas-de-samba do terceiro grupo de Mogi-Guaçu tem mais bom gosto que o melhor arquiteto de Constantinopla. Chimpanzés drogados pintando com seus próprios excrementos psicografando Basquiat não produziriam coisas tão horrendas quanto as que foram produzidas em Bizâncio. Alah abençoe os Otomanos.
Pinturas de palhaços chorando se tornam obras-primas ao ser comparadas aos Ícones Bizantinos. Aquela estátua do Borba Gato começa a parecer extremamente elegante se comparada aos mosaicos bizantinos. Carnavalescos de escolas-de-samba do terceiro grupo de Mogi-Guaçu tem mais bom gosto que o melhor arquiteto de Constantinopla. Chimpanzés drogados pintando com seus próprios excrementos psicografando Basquiat não produziriam coisas tão horrendas quanto as que foram produzidas em Bizâncio. Alah abençoe os Otomanos.
25.2.04
Piiiiiiiiii
E por falar em imbecil: Vi hoje um pedaço do tal Big Brother. Lá pelas tantas aparecia um gráfico no canto da tela mostando o saltitante batimento cardíaco dos integrantes.
Se fosse eletroencefalograma apareceria uma linha reta.
Se fosse eletroencefalograma apareceria uma linha reta.
O Perfeito Imbecil
A principal característica do Perfeito Imbecil é não se reconhecer como tal. O Mala freqüentemente sabe que é um Mala. Muitos Burros tem plena noção de sua limitação. Existem diversos Canalhas assumidos e até Completos-Filhos-da-Puta de carteirinha com exame médico em dia.
Já o Imbecil nunca se assume como tal. O Perfeito Imbecil, então, é aquele que tem como passatempo identificar apenas nos outros a Imbecilidade. Como, por exemplo, esse vosso amigo aqui.
Já o Imbecil nunca se assume como tal. O Perfeito Imbecil, então, é aquele que tem como passatempo identificar apenas nos outros a Imbecilidade. Como, por exemplo, esse vosso amigo aqui.
24.2.04
100% Burguês
Todo burguês tem um pouco de vergonha de ser burguês. Até a palavra burguês lhe dá um pouco de repulsa, como se fosse uma doença herdada no sangue, que por via das dúvidas é melhor não ser pronunciada. O burguês não se sente contente como burguês. Alguns gostariam de ser aristocratas. Diversos sonham com uma vida mais simples, mais próxima à natureza, mais longe dos burgos. Outros ainda tem até uma certa vergonha do lucro e da mais-valia. Não conheço nenhum burguês que se sinta plenamente burguês.
Somente um operariozão mesmo - daqueles cheios de calos, meia dúzia de filhos, que trabalha onze horas por dia num galpão com uma janelinha minúscula no teto consegue ter uma alma incolumemente burguesa.
Só o proletário é 100% burguês.
Somente um operariozão mesmo - daqueles cheios de calos, meia dúzia de filhos, que trabalha onze horas por dia num galpão com uma janelinha minúscula no teto consegue ter uma alma incolumemente burguesa.
Só o proletário é 100% burguês.
26.1.04
Siga a bolinha
The Philosopher's Drinking Song
Immanuel Kant was a real pissant
who was very rarely stable.
Heidegger, Heidegger was a boozy beggar
who could think you under the table.
David Hume could out consume
Wilhelm Friedrich Hegel,
And Wittgenstein was a beery swine
who was just as sloshed as Schlegel.
There's nothing Nietzsche couldn't teach ya
'bout the raisin' of the wrist.
Socrates himself was permanently pissed.
John Stuart Mill, of his own free will,
after half a pint of shandy was particularly ill.
Plato, they say, could stick it away,
'alf a crate of whiskey every day!
Aristotle, Aristotle was a bugger for the bottle,
and Hobbes was fond of his Dram.
And Rene Descartes was a drunken fart:
"I drink, therefore I am."
Yes, Socrates himself is particularly missed;
A lovely little thinker, but a bugger when he's pissed.
Monty Python
Immanuel Kant was a real pissant
who was very rarely stable.
Heidegger, Heidegger was a boozy beggar
who could think you under the table.
David Hume could out consume
Wilhelm Friedrich Hegel,
And Wittgenstein was a beery swine
who was just as sloshed as Schlegel.
There's nothing Nietzsche couldn't teach ya
'bout the raisin' of the wrist.
Socrates himself was permanently pissed.
John Stuart Mill, of his own free will,
after half a pint of shandy was particularly ill.
Plato, they say, could stick it away,
'alf a crate of whiskey every day!
Aristotle, Aristotle was a bugger for the bottle,
and Hobbes was fond of his Dram.
And Rene Descartes was a drunken fart:
"I drink, therefore I am."
Yes, Socrates himself is particularly missed;
A lovely little thinker, but a bugger when he's pissed.
Monty Python
6.1.04
Possíveis manchetes do MÍDIA SEM MÁSCARA:
"Subdesenvolvidos fracassados e esquerdistas tentam desestabilizar a produção de carne no País da Liberdade"
"Goebels nunca mentiu"
"Socialistas-caviar caem de trem em Mogi das Cruzes"
"Exército da democracia elimina seis terroristas que se disfarçavam de criança no Afeganistão"
"Canibais socialistas reconhecem a própria incompetência e se retiram da democrática reconstrução do Iraque"
"Mídia esquerdista mente ao dizer que o Santo Papa considera Saddam Hussein um ser humano"
"Fidel, Farc e Arafat sabotam vôo da réplica do avião dos Irmãos Wright, verdadeiros pais da aviação"
"Rede Globo e Veja são agentes da revolução gramsciana"
"Dom e Ravel valem mais que Chico Buarque, socialista ignorante que merecia estar na cadeia"
"Arafat é financiado pelos traficantes do Rio de Janeiro"
Kolima
"Goebels nunca mentiu"
"Socialistas-caviar caem de trem em Mogi das Cruzes"
"Exército da democracia elimina seis terroristas que se disfarçavam de criança no Afeganistão"
"Canibais socialistas reconhecem a própria incompetência e se retiram da democrática reconstrução do Iraque"
"Mídia esquerdista mente ao dizer que o Santo Papa considera Saddam Hussein um ser humano"
"Fidel, Farc e Arafat sabotam vôo da réplica do avião dos Irmãos Wright, verdadeiros pais da aviação"
"Rede Globo e Veja são agentes da revolução gramsciana"
"Dom e Ravel valem mais que Chico Buarque, socialista ignorante que merecia estar na cadeia"
"Arafat é financiado pelos traficantes do Rio de Janeiro"
Kolima
5.1.04
O Vendedor de Catracas e o Imperador do Castelo das 999 Pontes Azuis
Era uma vez Pau-La-Pin, um jovem vendedor de catracas que vivia em um pequeno vilarejo à beira do rio Pin-Hei-Roo. Como nas aldeias da região todos já faziam uso dos seus controladores de circulação, o jovem vendedor de catracas resolveu partir em busca de novos mercados e conquistar negócios mais nobres em terras mais distantes.
Pau-La-Pin despediu-se de sua família. Beijou sua mãe, que chorava copiosamente, abraçou seu pai, que tocava lamentos de despedida em um instrumento feito de ossos de texugo, deu uma rapidinha com suas três esposas. Assim, o jovem vendedor de catracas partiu em viagem rumo ao Castelo das Pontes Azuis, acreditando que o Imperador pudesse - quem sabe - lhe firmar um contrato de exclusividade para as 999 pontes que conduziam ao Castelo.
Durante a longa viagem, por vezes extenuante, passando por desertos escaldantres e pântanos contaminados; atravessando rios caudalosos e furimbundos; ultrapassando montanhas que pareciam lamber os céus; fugindo de baratas, aranhas e pequenos roedores; copulando com preás e flamingos; Pau-La-Pin pensava até em desistir, questionando sua ambição por novos mercados para suas catracas.
Porém, depois de meses de longa jornada, o Castelo das Pontes Azuis emergiu na paisagem coroando o mais alto pico acima de um vale profundo coberto de nuvens muito brancas. Suas 999 pontes conduziam a um imenso portão principal com o formato da cabeça de uma garça azul. Tudo estava em silêncio e não se ouvia nem o zumbir de um inseto. Pau-La-Pin atravessou a ponte principal e adentrou o enorme Castelo despovoado. Seus passos ecoavam nas paredes ricamente adornadas. Lá dentro, no centro do Salão Esférico, todo recoberto de ouro e jade azul, encontrou o Imperador em seu manto de seda azul, sentado em seu trono azul, que a tudo monitorava por suas câmeras de segurança azuis.
– Ó nobilíssimo Imperador do Castelo das Pontes Azuis, vejo que possuis muitas pontes que conduzem ao seu castelo. Eu vendo catracas. Tamos aí nessa boquinha?
Ao que o sábio Imperador respondeu:
– Ora, ora, meu jovem e afoito vendedor de catracas… É muita petulância dirigires ao Imperador desta forma. Nós já possuímos um serviço de segurança magnífico, com monitoramento por satélite, infravermelho, raio-laser americano e o escambáu. Por que compraria catracas mequetrefes de um coitado como tu? Saibas que aqui no Castelo das Pontes Azuis apenas aceitaríamos nada mais e nada menos que a Catraca Perfeita. Tens essa Catraca Perfeita em estoque para pronta entrega?
Pau-La-Pin, assustado respondeu:
– Olha, no momento estamos em falta da Catraca Perfeita. Não serviria talvez uma Quase-Que-Perfeita com sensor ótico digital e cinco anos de garantia?
O Imperador levantou-se visivelmente transtornado e bradou:
– NÃO! Somente a Catraca Perfeita poderá ser instalada no Castelo das Pontes Azuis! Ó intrometido vendedor de catracas, se não trouxeres a Catraca Perfeita em exatamente 7 luas mandarei atirá-lo no Abismo das Nuvens Eternas que cerca o Castelo, onde as pessoas demoram 99 anos para atingir o fundo, que por sinal está repleto de cocô de dragão e guimbas de cigarro. Agora vá e não retorne sem a Catraca Perfeita. E com manual de instalação traduzido. Você tem sete luas! Vá!
Como que do ar, materializaram-se em torno de Pau-La-Pin 99 seguranças que o arrastaram até o fim da ponte principal.
Pau-La-Pin desolado, não sabia o que fazer. A lua, que emergia no céu e parecia sorrir-lhe com escárnio, avisava que seu tempo já estava correndo e que ele deveria partir imediatamente em busca da Catraca Perfeita. Claro que todos buscamos a Catraca Perfeita – pensou Pau-La-Pin – mas onde eu poderia encontrá-la?
As luas foram se sucedendo e por muitas terras perambulou Pau-La-Pin. Porém ele não descobriu quem soubesse aonde poderia encontrar essa tal Catraca Perfeita. Isso é apenas uma lenda, diziam. A Catraca Perfeita não existe; mais cedo ou mais tarde todas apresentam algum defeito de hardware, software ou nas partes mecânicas. As coisas tendem a degringolar, é assim mesmo, não tem jeito, é o princípio da entropia e bla bla bla. Mas Pau-La-Pin continuava obstinado em seu propósito de – mais do que agradar o Imperador – encontrar essa tal catraca. A Catraca Perfeita.
Depois de seis luas, com bolhas nos pés e chorando sentado em uma pedra à beira de um riacho, um uirapuru grená pousou no ombro de Pau-La-Pin e lhe disse:
– Crá! Se quiserdes encontrar a Catraca Perfeita deves procurar o Sábio do Condomínio Fechado. Crá!
– Claro! Que 9 mil gafanhotos comam minha túnica! Por que não pensei nisso antes!? O Sábio do Condomínio Fechado saberá me ajudar! Obrigado, uirapuru grená.
– Crá! Obrigado nada, vai... Ah, deixa pra lá! Tou só aqui para encurtar a história mesmo.
Exausto por sua busca interminável, o jovem vendedor de catracas finalmente chegou ao Condomínio Fechado com muralhas de 9 mil metros de altura e, pelo interfone, perguntou:
– O Sábio do Condomínio Fechado está aí?
– Vou ver se ele pode atender. Quem gostaria?
– É Pau-La-Pin.
– De onde?
– Pau-La-Pin, o vendedor de catracas.
O vendedor de catracas escuta pelo interfone vozes abafadas:
– É a pizza?
– Não, ó Grande Sábio do Condomínio Fechado, é um vendedor de catracas.
– Putamerda, de novo! Todo século aparecem esses malas, não faz nem uma década não apareceu aqui o vendedor de filtros de piscina, procurando o filtro de piscina inemtupível? Alou, fala rapaz!!!
Pau-La-Pin gaguejando responde:
– Ó Sábio do Condomínio Fechado, onde é possível encontrar a Catraca Perfeita, satisfazer o Imperador do Castelo das 999 Pontes Azuis e assim conquistar negócios mais nobres em terras mais distantes e por conseguinte ganhar mais um dim-dim para melhor poder sustentar a minha família?
– Hein? Por favor, você pode falar mais perto do interfone? Está com malcontato…
– Sim… Oi, tá me ouvindo? Alou? Viu, seu Sábio, onde é que eu encontro a tal Catraca Perfeita?
– Não é Sábio. É Fábio. Todo mundo acha que é Sábio por que o interfone tá com chiado. Mas é Fábio, viu? Eu sou o Fábio do Condomínio Fechado.
– Ahhh.
– Mas claro… Você deve ser o jovem vendedor de catracas em busca da Catraca Perfeita… Pois muito bem! Ouça com atenção o que tenho a lhe dizer. Só vou dizer uma vez. O interfone tá uma bosta. Tá ouvindo? Pois então, escuta só: Nenhum homem é uma ilha. Tá entendendo? Assim como nenhuma mulher é uma península. Nenhuma criança é um golfo e nenhum Imperador, por mais gordo que esteja, é uma montanha. Tá certo? Mas o soldado raso pode vir a ser um cabo. Entendeu? Bom, então é isso. Se o cara da pizza aparecer diga para passá-la por debaixo do portão, que o botão que abre a porta não tá funcionando direito também. Obrigado e boa noite.
Atônito, Pau-La-Pin apertou mais uma vez o botão do interfone.
– Mas como assim? Como assim? - Mas mais nenhuma resposta foi dada. O interfone realmente estava uma bosta.
Como seu prazo estava se esgotando e a última lua já surgia no céu, Pau-La-Pin decidiu voltar ao Imperador do Castelo das 999 Pontes Azuis e aceitar seu destino.
– E então, vendedor de catracas – disse ríspido o Imperador do Castelo das Pontes Azuis – onde está a minha Catraca Perfeita?
Cabisbaixo, diante do Imperador, Pau-La-Pin se curvou, fez todas as reverências possíveis e quando abria a boca para dizer que não havia encontrado a Catraca Perfeita sua mente se iluminou. Então disse ao imperador:
– A Catraca Perfeita, ó nobre Imperador, está dentro de nós mesmos.
O rosto do Imperador subitamente também se iluminou. Um grande sorriso desabrochou em sua face corroída pelas rugas seculares de preocupação com a segurança de seu castelo.
– Dentro de nós mesmos? - Perguntou, coçando sua longa e fina barba branca.
– Sim. A Catraca Perfeita é a Catraca Interior.
– Puxa vida, legal! - exclamou o Imperador - Bacana isso aí que você falou.
– Legal, né? Saquei isso agorinha mesmo. Puta lance místico. Assim, pum, de repente, saquei tudo!
– Superlegal, nossa, muito cabeça mesmo. Catraca Interior, gostei. Olha só: Meu caro vendedor de catracas, agora você passará a ser o Catraqueiro Oficial do Império com direito a prioridade em todos os contratos feitos em todas as pontes do reino e comissão de 7% nos demais equipamentos de segurança instalados. Gostou? Pois agora levante-se.
Pau-La-Pin sorridente ergueu-se sobre suas pernas cambaleantes. O Imperador colocou a mão sobre o seu ombro e ambos atravessaram o portal com formato de cabeça de garça azul e caminharam sobre as pontes azuis suspensas sobre o Abismo das Nuvens Eternas e brancas.
– Está vendo essas 999 pontes azuis? Você terá o controle de acesso sobre cada uma delas. Mas antes vamos só rever esse lance de catraca interior. Quer dizer que a Catraca Perfeita está dentro de você, não é?
– Sim.
O Imperador fez um gesto com a mão. – Seguranças, abram a barriga desse desgraçado. Se não encontrarem nenhuma catraca dentro do infeliz, joguem o corpo no abismo.
E assim foi feito. Como a Catraca Perfeita era apenas uma metáfora muito ruim, até hoje Pau-La-Pin continua caindo em direção ao fundo do abismo onde só há cocô de dragão, guimbas de cigarro e várias carcaças de espertalhões que acharam que poderiam engabelar o Imperador do Castelo das Pontes Azuis com literatura de auto-ajuda terceira categoria.
Pau-La-Pin despediu-se de sua família. Beijou sua mãe, que chorava copiosamente, abraçou seu pai, que tocava lamentos de despedida em um instrumento feito de ossos de texugo, deu uma rapidinha com suas três esposas. Assim, o jovem vendedor de catracas partiu em viagem rumo ao Castelo das Pontes Azuis, acreditando que o Imperador pudesse - quem sabe - lhe firmar um contrato de exclusividade para as 999 pontes que conduziam ao Castelo.
Durante a longa viagem, por vezes extenuante, passando por desertos escaldantres e pântanos contaminados; atravessando rios caudalosos e furimbundos; ultrapassando montanhas que pareciam lamber os céus; fugindo de baratas, aranhas e pequenos roedores; copulando com preás e flamingos; Pau-La-Pin pensava até em desistir, questionando sua ambição por novos mercados para suas catracas.
Porém, depois de meses de longa jornada, o Castelo das Pontes Azuis emergiu na paisagem coroando o mais alto pico acima de um vale profundo coberto de nuvens muito brancas. Suas 999 pontes conduziam a um imenso portão principal com o formato da cabeça de uma garça azul. Tudo estava em silêncio e não se ouvia nem o zumbir de um inseto. Pau-La-Pin atravessou a ponte principal e adentrou o enorme Castelo despovoado. Seus passos ecoavam nas paredes ricamente adornadas. Lá dentro, no centro do Salão Esférico, todo recoberto de ouro e jade azul, encontrou o Imperador em seu manto de seda azul, sentado em seu trono azul, que a tudo monitorava por suas câmeras de segurança azuis.
– Ó nobilíssimo Imperador do Castelo das Pontes Azuis, vejo que possuis muitas pontes que conduzem ao seu castelo. Eu vendo catracas. Tamos aí nessa boquinha?
Ao que o sábio Imperador respondeu:
– Ora, ora, meu jovem e afoito vendedor de catracas… É muita petulância dirigires ao Imperador desta forma. Nós já possuímos um serviço de segurança magnífico, com monitoramento por satélite, infravermelho, raio-laser americano e o escambáu. Por que compraria catracas mequetrefes de um coitado como tu? Saibas que aqui no Castelo das Pontes Azuis apenas aceitaríamos nada mais e nada menos que a Catraca Perfeita. Tens essa Catraca Perfeita em estoque para pronta entrega?
Pau-La-Pin, assustado respondeu:
– Olha, no momento estamos em falta da Catraca Perfeita. Não serviria talvez uma Quase-Que-Perfeita com sensor ótico digital e cinco anos de garantia?
O Imperador levantou-se visivelmente transtornado e bradou:
– NÃO! Somente a Catraca Perfeita poderá ser instalada no Castelo das Pontes Azuis! Ó intrometido vendedor de catracas, se não trouxeres a Catraca Perfeita em exatamente 7 luas mandarei atirá-lo no Abismo das Nuvens Eternas que cerca o Castelo, onde as pessoas demoram 99 anos para atingir o fundo, que por sinal está repleto de cocô de dragão e guimbas de cigarro. Agora vá e não retorne sem a Catraca Perfeita. E com manual de instalação traduzido. Você tem sete luas! Vá!
Como que do ar, materializaram-se em torno de Pau-La-Pin 99 seguranças que o arrastaram até o fim da ponte principal.
Pau-La-Pin desolado, não sabia o que fazer. A lua, que emergia no céu e parecia sorrir-lhe com escárnio, avisava que seu tempo já estava correndo e que ele deveria partir imediatamente em busca da Catraca Perfeita. Claro que todos buscamos a Catraca Perfeita – pensou Pau-La-Pin – mas onde eu poderia encontrá-la?
As luas foram se sucedendo e por muitas terras perambulou Pau-La-Pin. Porém ele não descobriu quem soubesse aonde poderia encontrar essa tal Catraca Perfeita. Isso é apenas uma lenda, diziam. A Catraca Perfeita não existe; mais cedo ou mais tarde todas apresentam algum defeito de hardware, software ou nas partes mecânicas. As coisas tendem a degringolar, é assim mesmo, não tem jeito, é o princípio da entropia e bla bla bla. Mas Pau-La-Pin continuava obstinado em seu propósito de – mais do que agradar o Imperador – encontrar essa tal catraca. A Catraca Perfeita.
Depois de seis luas, com bolhas nos pés e chorando sentado em uma pedra à beira de um riacho, um uirapuru grená pousou no ombro de Pau-La-Pin e lhe disse:
– Crá! Se quiserdes encontrar a Catraca Perfeita deves procurar o Sábio do Condomínio Fechado. Crá!
– Claro! Que 9 mil gafanhotos comam minha túnica! Por que não pensei nisso antes!? O Sábio do Condomínio Fechado saberá me ajudar! Obrigado, uirapuru grená.
– Crá! Obrigado nada, vai... Ah, deixa pra lá! Tou só aqui para encurtar a história mesmo.
Exausto por sua busca interminável, o jovem vendedor de catracas finalmente chegou ao Condomínio Fechado com muralhas de 9 mil metros de altura e, pelo interfone, perguntou:
– O Sábio do Condomínio Fechado está aí?
– Vou ver se ele pode atender. Quem gostaria?
– É Pau-La-Pin.
– De onde?
– Pau-La-Pin, o vendedor de catracas.
O vendedor de catracas escuta pelo interfone vozes abafadas:
– É a pizza?
– Não, ó Grande Sábio do Condomínio Fechado, é um vendedor de catracas.
– Putamerda, de novo! Todo século aparecem esses malas, não faz nem uma década não apareceu aqui o vendedor de filtros de piscina, procurando o filtro de piscina inemtupível? Alou, fala rapaz!!!
Pau-La-Pin gaguejando responde:
– Ó Sábio do Condomínio Fechado, onde é possível encontrar a Catraca Perfeita, satisfazer o Imperador do Castelo das 999 Pontes Azuis e assim conquistar negócios mais nobres em terras mais distantes e por conseguinte ganhar mais um dim-dim para melhor poder sustentar a minha família?
– Hein? Por favor, você pode falar mais perto do interfone? Está com malcontato…
– Sim… Oi, tá me ouvindo? Alou? Viu, seu Sábio, onde é que eu encontro a tal Catraca Perfeita?
– Não é Sábio. É Fábio. Todo mundo acha que é Sábio por que o interfone tá com chiado. Mas é Fábio, viu? Eu sou o Fábio do Condomínio Fechado.
– Ahhh.
– Mas claro… Você deve ser o jovem vendedor de catracas em busca da Catraca Perfeita… Pois muito bem! Ouça com atenção o que tenho a lhe dizer. Só vou dizer uma vez. O interfone tá uma bosta. Tá ouvindo? Pois então, escuta só: Nenhum homem é uma ilha. Tá entendendo? Assim como nenhuma mulher é uma península. Nenhuma criança é um golfo e nenhum Imperador, por mais gordo que esteja, é uma montanha. Tá certo? Mas o soldado raso pode vir a ser um cabo. Entendeu? Bom, então é isso. Se o cara da pizza aparecer diga para passá-la por debaixo do portão, que o botão que abre a porta não tá funcionando direito também. Obrigado e boa noite.
Atônito, Pau-La-Pin apertou mais uma vez o botão do interfone.
– Mas como assim? Como assim? - Mas mais nenhuma resposta foi dada. O interfone realmente estava uma bosta.
Como seu prazo estava se esgotando e a última lua já surgia no céu, Pau-La-Pin decidiu voltar ao Imperador do Castelo das 999 Pontes Azuis e aceitar seu destino.
– E então, vendedor de catracas – disse ríspido o Imperador do Castelo das Pontes Azuis – onde está a minha Catraca Perfeita?
Cabisbaixo, diante do Imperador, Pau-La-Pin se curvou, fez todas as reverências possíveis e quando abria a boca para dizer que não havia encontrado a Catraca Perfeita sua mente se iluminou. Então disse ao imperador:
– A Catraca Perfeita, ó nobre Imperador, está dentro de nós mesmos.
O rosto do Imperador subitamente também se iluminou. Um grande sorriso desabrochou em sua face corroída pelas rugas seculares de preocupação com a segurança de seu castelo.
– Dentro de nós mesmos? - Perguntou, coçando sua longa e fina barba branca.
– Sim. A Catraca Perfeita é a Catraca Interior.
– Puxa vida, legal! - exclamou o Imperador - Bacana isso aí que você falou.
– Legal, né? Saquei isso agorinha mesmo. Puta lance místico. Assim, pum, de repente, saquei tudo!
– Superlegal, nossa, muito cabeça mesmo. Catraca Interior, gostei. Olha só: Meu caro vendedor de catracas, agora você passará a ser o Catraqueiro Oficial do Império com direito a prioridade em todos os contratos feitos em todas as pontes do reino e comissão de 7% nos demais equipamentos de segurança instalados. Gostou? Pois agora levante-se.
Pau-La-Pin sorridente ergueu-se sobre suas pernas cambaleantes. O Imperador colocou a mão sobre o seu ombro e ambos atravessaram o portal com formato de cabeça de garça azul e caminharam sobre as pontes azuis suspensas sobre o Abismo das Nuvens Eternas e brancas.
– Está vendo essas 999 pontes azuis? Você terá o controle de acesso sobre cada uma delas. Mas antes vamos só rever esse lance de catraca interior. Quer dizer que a Catraca Perfeita está dentro de você, não é?
– Sim.
O Imperador fez um gesto com a mão. – Seguranças, abram a barriga desse desgraçado. Se não encontrarem nenhuma catraca dentro do infeliz, joguem o corpo no abismo.
E assim foi feito. Como a Catraca Perfeita era apenas uma metáfora muito ruim, até hoje Pau-La-Pin continua caindo em direção ao fundo do abismo onde só há cocô de dragão, guimbas de cigarro e várias carcaças de espertalhões que acharam que poderiam engabelar o Imperador do Castelo das Pontes Azuis com literatura de auto-ajuda terceira categoria.
16.12.03
Empório Celestial de Conhecimentos Benévolos
Os animais se dividem em:
a) pertencentes ao imperador
b)embalsamados
c) adestrados
d) leitões
e) sereias
f) fabulosos
g) cães soltos
h) incluídos nesta classificação
i) que se agitam como loucos
j) inumeráveis
k) desenhados com um pincel finíssimo de camelo
l) etc
m) que acabam de quebrar o jarro
n) que de longe se parecem com moscas
JORGE LUIS BORGES
a) pertencentes ao imperador
b)embalsamados
c) adestrados
d) leitões
e) sereias
f) fabulosos
g) cães soltos
h) incluídos nesta classificação
i) que se agitam como loucos
j) inumeráveis
k) desenhados com um pincel finíssimo de camelo
l) etc
m) que acabam de quebrar o jarro
n) que de longe se parecem com moscas
JORGE LUIS BORGES
20.11.03
A GRANDE METÁFORA
el fútbol es popular porque la estupidez es popular
Jorge Luis Borges
Tá. Eu certamente sou o único apreciador das metáforas do “dignífimo” Presidente. Podem me atirar os ovos e tomates, pois nessa época de crises o omelete com catchup será bem vindo. Mas, admito, eu acho todas as metáforas presidenciais lindas, claras e cristalinas. Com a simplicidade de um sólido euclidiano. Gosto muito das metáforas botânico-agrárias e também das de economia doméstica, todas muito simpáticas. Mas aprecio principalmente as metáforas futebolísticas. Tenho certeza que quase tudo na economia e política pode ser explicado e entendido por metáforas futebolísticas. E todo o resto que não pode ser explicado pela metáfora futebolística ou não vale a pena ser compreendido ou é só embromação mesmo.
E não é só política e economia, não. Se examinarmos com cuidado veremos que todas as grandes problemáticas humanas são encenadas por atores de caneleiras. A técnica, a tática, a malícia, a sorte, a superação do limite, a relação do Homem com as leis, sua interpretação e aplicação estão todas embutidas no Futebol. Está tudo lá dentro das quatro linhas de cal, nos estádios, nas concentrações, nas intermináveis e aparentemente irrelevantes discussões mesas-redondas. Uma dúvida banal: escalar o jogador talentoso ou aquele que cumpre bem as determinações táticas? É retomar a questão do Individual X Coletivo, qual é o mais importante? Ao se discutir a última escalação do Parreira estamos revivendo o eterno embate entre Hobbes e Locke. O Futebol é definitivamente a Grande Metáfora.
O Futebol pode ser entendido pelo prisma opaco da fofoca, ou seja, da mera comparação de modelos de comportamentos quando julgamos o caráter de um jogador, treinador ou dirigente. Porém ele pode ser compreendido também, como fez Nelson Rodrigues, no seu sentido épico-literário, em que mais que a cartase de teatro grego, são recriadas constantemente no gramado verdadeiras Ilíadas com Aquiles, Heitores e Rovilsons, seja num Maracanã lotado ou num campo da várzea.
Existem também críticas sérias ao exagero da metáfora futebolística. O Umberto Eco, que não é nenhum entusiasta do esporte bretão, tem um texto no Viagem na Irrealidade Cotidiana que conta como as discussões sobre futebol na Itália - corria 1978 - iam substituindo as discussões sobre os ataques das Brigadas Vermelhas e as verdadeiras querelas políticas. Nas mesas-redondas sobre futebol se permitiria brincar de gerir a Coisa Pública sem os dilemas da discussão política. É o lado ruim da alegoria futebolístia: quando a metáfora acaba eclipsando o metaforizado. O que é extremamente comum.
No entanto, curiosamente também neste texto, Eco relata a sua primeira ida a um estádio de futebol com seu pai. Ele diz que ao ver um estádio com dezenas de milhares de pessoas sentadas em torno de um gramado onde um punhado de pessoas se esforçava para dar um pontapé em uma bola, ele teve a sua primeira crise religiosa e duvidou da existência de Deus. Sob a luz enregeladora do sol do meio-dia se desenrolava um "espetáculo cósmico sem sentido", aquilo que Ottiero Ottieri teria chamado de Sentimento da Irrealidade Cotidiana. E, curiosamente, também para nosso caro semiólogo, o futebol, em seu avesso, serviu para um momento de total epifania Lispectoriana.
Enfim, para resumir: creio que o importante é saber que ao discutir o futebol, estamos sempre discutindo uma Outra Coisa. Seja como tragédia épica, pantomima ou um caótico balé niilista, o futebol está sempre nos representando de alguma forma. Digníssimo presidente, o senhor tem toda a razão: O Futebol é, sem dúvida, a Grande Metáfora. E bola pro mato, que o jogo é de campeonato!
Jorge Luis Borges
Tá. Eu certamente sou o único apreciador das metáforas do “dignífimo” Presidente. Podem me atirar os ovos e tomates, pois nessa época de crises o omelete com catchup será bem vindo. Mas, admito, eu acho todas as metáforas presidenciais lindas, claras e cristalinas. Com a simplicidade de um sólido euclidiano. Gosto muito das metáforas botânico-agrárias e também das de economia doméstica, todas muito simpáticas. Mas aprecio principalmente as metáforas futebolísticas. Tenho certeza que quase tudo na economia e política pode ser explicado e entendido por metáforas futebolísticas. E todo o resto que não pode ser explicado pela metáfora futebolística ou não vale a pena ser compreendido ou é só embromação mesmo.
E não é só política e economia, não. Se examinarmos com cuidado veremos que todas as grandes problemáticas humanas são encenadas por atores de caneleiras. A técnica, a tática, a malícia, a sorte, a superação do limite, a relação do Homem com as leis, sua interpretação e aplicação estão todas embutidas no Futebol. Está tudo lá dentro das quatro linhas de cal, nos estádios, nas concentrações, nas intermináveis e aparentemente irrelevantes discussões mesas-redondas. Uma dúvida banal: escalar o jogador talentoso ou aquele que cumpre bem as determinações táticas? É retomar a questão do Individual X Coletivo, qual é o mais importante? Ao se discutir a última escalação do Parreira estamos revivendo o eterno embate entre Hobbes e Locke. O Futebol é definitivamente a Grande Metáfora.
O Futebol pode ser entendido pelo prisma opaco da fofoca, ou seja, da mera comparação de modelos de comportamentos quando julgamos o caráter de um jogador, treinador ou dirigente. Porém ele pode ser compreendido também, como fez Nelson Rodrigues, no seu sentido épico-literário, em que mais que a cartase de teatro grego, são recriadas constantemente no gramado verdadeiras Ilíadas com Aquiles, Heitores e Rovilsons, seja num Maracanã lotado ou num campo da várzea.
Existem também críticas sérias ao exagero da metáfora futebolística. O Umberto Eco, que não é nenhum entusiasta do esporte bretão, tem um texto no Viagem na Irrealidade Cotidiana que conta como as discussões sobre futebol na Itália - corria 1978 - iam substituindo as discussões sobre os ataques das Brigadas Vermelhas e as verdadeiras querelas políticas. Nas mesas-redondas sobre futebol se permitiria brincar de gerir a Coisa Pública sem os dilemas da discussão política. É o lado ruim da alegoria futebolístia: quando a metáfora acaba eclipsando o metaforizado. O que é extremamente comum.
No entanto, curiosamente também neste texto, Eco relata a sua primeira ida a um estádio de futebol com seu pai. Ele diz que ao ver um estádio com dezenas de milhares de pessoas sentadas em torno de um gramado onde um punhado de pessoas se esforçava para dar um pontapé em uma bola, ele teve a sua primeira crise religiosa e duvidou da existência de Deus. Sob a luz enregeladora do sol do meio-dia se desenrolava um "espetáculo cósmico sem sentido", aquilo que Ottiero Ottieri teria chamado de Sentimento da Irrealidade Cotidiana. E, curiosamente, também para nosso caro semiólogo, o futebol, em seu avesso, serviu para um momento de total epifania Lispectoriana.
Enfim, para resumir: creio que o importante é saber que ao discutir o futebol, estamos sempre discutindo uma Outra Coisa. Seja como tragédia épica, pantomima ou um caótico balé niilista, o futebol está sempre nos representando de alguma forma. Digníssimo presidente, o senhor tem toda a razão: O Futebol é, sem dúvida, a Grande Metáfora. E bola pro mato, que o jogo é de campeonato!
4.11.03
Casos e Acasos Virtuais
Recebi um e-mail do Ratapulgo e fiquei sensibilizada.
Insatisfeito com meus 18 cm de pinto acabei me inscrevendo em diversos programas de aumento de pênis. Experimentei vários deles. Simultaneamente. Gastei muito tempo. Torrei muita grana. E pareciam todos não dar resultado algum. Extremamente frustrado acabei desistindo das massagens, sucções, pílulas e fétidos ungüentos.
No entanto - qual não foi minha surpresa, Fata - eis que numa bela manhã acordo com uma ereção de 57cm! Realmente todos os programas funcionaram e ainda tiveram resultados cumulativos! Era só questão de ter paciência! Fiquei absolutamente extasiado e liguei para uma amiga que certamente adoraria usufruir da minha nova condição anatômica.
Mas qual! Logo na primeira tentativa reparei que apenas uma parte do pênis mantinha o contato com a minha parceira pois o resto do corpo ficava muito longe, tornando difícil qualquer tipo de manifestação carinhosa como abraços e beijos, que deveriam ser lançados à distância apenas. E esse era o menor dos problemas.
O problema maior passou a ser que em cada relação sexual eu não apenas acabava atingindo o útero da parceira como freqüentemente chegava a perfurar os pulmões da pobrezinha. Não eram poucas as que terminavam nas madrugadas sangrando na maca de um pronto-socorro qualquer.
O que para mim começara como felicidade terminou como uma maldição, pois meu pênis não parava de se prolongar mesmo em estado de não excitação. Como o espaço útero-vaginal não era o suficiente para minha estrovenga que já atingira 89 cm, passei a me dedicar apenas às penetrações anais. Também sem resultados satisfatórios. Para meu desespero uma amiga muito estimada acabou por falecer, engasgada com meu próprio pênis que percorreu todo o sistema digestivo pelo lado contrário e ao chegar na garganta a sufocou até a morte sem que eu percebesse. Assim, uma a uma fui perdendo todas as parceiras que se dispunham a enfrentar a tão longa labuta de envolver sexualmente o meu mastruço.
Hoje sou um monstro que tem que andar por ai com um balde para carregar o que outrora foi meu orgulho e que hoje só me traz a vergonha e a infâmia. E o que é mais difícil de confessar é que agora o único modo que posso obter algum prazer sexual é introduzir (arduamente) meus 468cm pelo cano de esgoto do vaso sanitário e ficar apertando a descarga até atingir o orgasmo. Eu me pergunto: isso é vida? Terá valido a pena tanta ambição?
Por isso, minha querida Fatamorgana, lanço por você um apelo à todos que pensam em se utilizar desses métodos e técnicas de aumento peniano:
Sim, eles realmente funcionam. Mas se vocês tem amor às suas parceiras, não os utilizem! Não faça de seu pênis uma arma, a vítima pode ser você!
Obrigado.
Informou o serviço de utilidade ratapúlgica.
Casos e Acasos Virtuais
Insatisfeito com meus 18 cm de pinto acabei me inscrevendo em diversos programas de aumento de pênis. Experimentei vários deles. Simultaneamente. Gastei muito tempo. Torrei muita grana. E pareciam todos não dar resultado algum. Extremamente frustrado acabei desistindo das massagens, sucções, pílulas e fétidos ungüentos.
No entanto - qual não foi minha surpresa, Fata - eis que numa bela manhã acordo com uma ereção de 57cm! Realmente todos os programas funcionaram e ainda tiveram resultados cumulativos! Era só questão de ter paciência! Fiquei absolutamente extasiado e liguei para uma amiga que certamente adoraria usufruir da minha nova condição anatômica.
Mas qual! Logo na primeira tentativa reparei que apenas uma parte do pênis mantinha o contato com a minha parceira pois o resto do corpo ficava muito longe, tornando difícil qualquer tipo de manifestação carinhosa como abraços e beijos, que deveriam ser lançados à distância apenas. E esse era o menor dos problemas.
O problema maior passou a ser que em cada relação sexual eu não apenas acabava atingindo o útero da parceira como freqüentemente chegava a perfurar os pulmões da pobrezinha. Não eram poucas as que terminavam nas madrugadas sangrando na maca de um pronto-socorro qualquer.
O que para mim começara como felicidade terminou como uma maldição, pois meu pênis não parava de se prolongar mesmo em estado de não excitação. Como o espaço útero-vaginal não era o suficiente para minha estrovenga que já atingira 89 cm, passei a me dedicar apenas às penetrações anais. Também sem resultados satisfatórios. Para meu desespero uma amiga muito estimada acabou por falecer, engasgada com meu próprio pênis que percorreu todo o sistema digestivo pelo lado contrário e ao chegar na garganta a sufocou até a morte sem que eu percebesse. Assim, uma a uma fui perdendo todas as parceiras que se dispunham a enfrentar a tão longa labuta de envolver sexualmente o meu mastruço.
Hoje sou um monstro que tem que andar por ai com um balde para carregar o que outrora foi meu orgulho e que hoje só me traz a vergonha e a infâmia. E o que é mais difícil de confessar é que agora o único modo que posso obter algum prazer sexual é introduzir (arduamente) meus 468cm pelo cano de esgoto do vaso sanitário e ficar apertando a descarga até atingir o orgasmo. Eu me pergunto: isso é vida? Terá valido a pena tanta ambição?
Por isso, minha querida Fatamorgana, lanço por você um apelo à todos que pensam em se utilizar desses métodos e técnicas de aumento peniano:
Sim, eles realmente funcionam. Mas se vocês tem amor às suas parceiras, não os utilizem! Não faça de seu pênis uma arma, a vítima pode ser você!
Obrigado.
Informou o serviço de utilidade ratapúlgica.
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