(ao estilo… do Almirante )
I
— Bom dia.
— Bom dia, meu senhor, em que posso ajudá-lo?
— Eu preciso de uma ética.
— Ética… ética… ética… Acho que já tivemos ética por aqui. Deixa eu ver. Talvez lá no fundo tenhamos alguma ética.
— Tenho procurado em todo lugar. Está muito difícil de achar alguma ética.
— Pois é. É que tem tido muito pouca procura, sabe? No Brasil a ética está em falta há muito tempo. Não tem demanda.
— Até tenho visto alguma estética. Mas ética, mesmo, não se encontra em lugar nenhum.
— Olhe, senhor, temos esta ética aqui. Não é nova, pertenceu a um tal de Nicômaco, mas está funcionando perfeitamente.
— Hmm. Ok. Está um pouco gasta. Mas como não encontro em outro lugar, vou levar essa mesmo. Pode embrulhar.
— Pois não. Vai pagar a ética no cheque ou no cartão?
— Dinheiro.
— Ah, perfeitamente. O senhor vai querer com nota ou sem nota?
II
— Boa tarde.
— Boa tarde, meu senhor, em que posso ajudá-lo?
— Essa ética que o senhor me vendeu: não tá funcionando!
— Estava ótima antes de sair da loja. O senhor deve ter rompido a ética.
— Eu não rompi nada. Onde já se viu? Ela já veio assim.
— Então o senhor abusou da ética.
— Eu não abusei da ética coisa nenhuma, meu senhor!
— Ah, mas as pessoas abusam. Tem gente que vai esticando assim, tá vendo?, tentando ampliar o limite da ética e ela não aguenta. Acaba arrebentando.
— Opa! Peraí. Agora que estou vendo.
— O quê?
— Isso aqui não é ética, meu caro. É um moralismo. E pior! Moralismo falsificado, paraguaio.
— Foi o que o senhor pediu!
— De jeito nenhum! Eu peço ética e o senhor me vem com um falso moralismo! Assim não é possível! Eu exijo uma nova ética.
— Sinto muito, não tem mais.
— Acabou a ética?
— Acabou.
— Preceitos morais?
— Nenhum.
— Princípios o senhor há de ter.
— Também não temos princípios, senhor.
— E o que o senhor tem, então?
— Temos etiqueta.
— Etiqueta?
— Temos etiqueta, boas maneiras e decoro.
— Decoro?
— Sim. Temos um pouquinho de decoro, se o senhor quiser.
— Ah, sei lá! Então me dá um decoro. Já que não há mais ética, que pelo menos haja um mínimo de decoro.
— Hmm. Acho que também não vai dar.
— Como assim, não vai dar?
— Parece que quebraram o decoro.
III
— Pssssiu!
— Sim. O que é?
— Eu ouvi a conversa do senhor com o vendedor.
— E daí?
— Então, eu posso arranjar uma ética para o senhor. Coisa fina. De primeira linha.
— Mas é boa mesmo, essa ética?
— É ótima. É de um senador. Nunca foi usada. Tá zero quilômetro.
— Opa!
— Pois é. O senador só usava a ética nos fins de semana pra ir na missa e voltar. Mas hoje nem isso, fica lá guardada na garagem. Se quiser, eu posso dar uma palavrinha com o senador. De repente ele libera essa ética, tá entendendo?
— Ah, será que você conseguiria? Estou precisando tanto dessa ética.
— Mas então... Pra falar com esse senador… vai ter que ter um adiantamentozinho pro meu lado, que essa ética é coisa especial.
— Sem problema. Aqui, pronto. Tome mais algum. Compre um panetone pros seus filhos.
— Ah! O senhor não vai se arrepender. É uma ética espetacular. O senhor vai adorar. Ela fala muito bem, é bem articulada. Fez até faculdade de comunicação social.
— Ah, é uma ética jornalística?
— Isso!
— Aqui no Brasil?
— Exatamente.
— Então deixa pra lá.
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3.12.09
25.10.06
O Ministro da Educação do Alckmin
Glória ao Senhor! É disso que escapamos.
Pouco teria a acrescentar ao artigo de Ruy Nogueira. A não ser alguns pequenos detalhes que escaparam da biografia do canoro político:
* O abade escocês Shemale Cumeater, depois de mais de seis décadas de meditação, jejuns e devotas orações na abadia de Stuffupyourshire, escutou as duas primeiras faixas do CD "Gabriel Chalita canta o Amor". Foi encontrado no porão da referida abadia deitado de bruços sobre um pentagrama feito com o próprio sangue. Um desproporcional pênis de bode encontrava-se alojado em sua garganta. Escrito com as unhas na pedra, em sua caligrafia, estava a seguinte frase: "Se Chalita existe tudo é permitido."
* A Civilização Menádica floresceu na região do Mar Tirreno no séc. IV a.C. Produzia o melhor e mais perfumado azeite de todo o Mediterrâneo; suas pequenas figuras de de vidro e ouro eram cobiçadas por toda a região; sua biblioteca, em número de obras, só foi suplantada muito tempo depois pela de Alexandria; animais de todas as partes do mundo desfilavam pacificamente nas ruas; e de suas fontes jorrava hidromel. Até que, certo dia, Gabriel Chalita foi nomeado Secretário da Educação do rei Salvelox III. Nunca se ouviu falar da civilização Menádica novamente.
24.10.06
22.10.06
Canção maledicente
Um abutre
carniceiro
e sanguinolento
Se o Lacerda era o corvo,
Reinaldo Azevedo é o abutre
debaixo das penas do tucano
um carniceiro sanguinolento
Sente cheiro de carniça
esta é o que lhe atiça
E como ela está em toda a parte
Reinaldinho inteiro se ouriça
Nada escapa de seu olfato
o mundo inteiro a feder
Tudo está putrefato
O país, o governo, você
Como o português com o bigode esmerdeado
que achou que o mundo estava cagado,
Reinaldo Azevedo não se deu conta
que ele mesmo é que está putrefato.
Um abutre
carniceiro
e putrefato.
-
Ou "Canción de Muy Amigo". Sabem que eu às vezes fico pensando se eu não teria uma assustadora facilidade de tornar O Sinistro um blogue tão escroto como o do Reinaldo Azevedo? Tenho certeza que eu poderia passar o dia fazendo posts iracundos, repletos de venenosos sarcasmos, silogismos sinuosos, travalínguas tântricos e maledicências absolutamente gratuitas, além de um calunismo social da pior espécie. Levantaria a moral das Hostes da Luz para que nos lançássemos todos, com entusiasmo, no fantástico abismo da batalha ideológica.
Tenho certo medo. Sabem por quê? Existem poucas coisas mais asquerosas que ter um blogue político, "os de direita, os de esquerda e principalmente os de marcha-ré." como dizia o outro. Blogue político deveria ser como sarna: você tem, gosta de se coçar mas não é bom ficar por aí espalhando. Uma discussão política, que coisa mais deselegante, para que tornar pública? Toda discussão política deveria ser feita no recôndito de seu lar, dentro de quatro paredes sem a presença de um outro ser humano. Ter um blogue político é ficar por aí, com uma cara de Paulo Silvino, mostrando: "Ó minha sarna, ó, tá vendo? Quer passar a mão? Ai, dá uma coçadinha pra mim, dá?" É muita promiscuidade, um coçando a sarna do outro. Blogue político deveria ser tratado como um problema de saúde pública. Sarnanpim neles, seu Oswaldo!
Agradeçamos todos ao Reinaldinho e suas leptospiroses amestradas por terem me mostrado a coisa hedionda que, no limite, este blogue poderia se transformar. Mas agradeçam muito à minha preguiça também. Se eu fosse um cocainômano, vocês tavam perdidos. Chamaria vocês de "tucanalhas" o tempo inteiro. Destilaria frases espirituosas como: "Olavo de Carvalho veio à Terra provar que um ser humano pode viver sem o cérebro". Lamuriaría-me pleiteando que quem votou no FHC sabendo que ele comprara deputados não tem o menor direito de se indignar com a lambança do PT. Podem rir, bater palminha, dizer bem feito! mas indignar-se, não. Escreveria coisas obscenas, que Deus é tremendo e Jesus tem parkinson. Diria que o verdadeiro herói é silencioso, o que quer que isso possa significar. Vararia madrugadas escrevendo 37 posts seguidos só sobre a ficha corrida do Abel Pereira. Cês tavam fudidos na minha mão. Ah, tavam. Então, agradeçam também, queridos leitores, à minha eterna padroeira Santa Preguiça do Caray. Amém ceis tudo?
carniceiro
e sanguinolento
Se o Lacerda era o corvo,
Reinaldo Azevedo é o abutre
debaixo das penas do tucano
um carniceiro sanguinolento
Sente cheiro de carniça
esta é o que lhe atiça
E como ela está em toda a parte
Reinaldinho inteiro se ouriça
Nada escapa de seu olfato
o mundo inteiro a feder
Tudo está putrefato
O país, o governo, você
Como o português com o bigode esmerdeado
que achou que o mundo estava cagado,
Reinaldo Azevedo não se deu conta
que ele mesmo é que está putrefato.
Um abutre
carniceiro
e putrefato.
-
Ou "Canción de Muy Amigo". Sabem que eu às vezes fico pensando se eu não teria uma assustadora facilidade de tornar O Sinistro um blogue tão escroto como o do Reinaldo Azevedo? Tenho certeza que eu poderia passar o dia fazendo posts iracundos, repletos de venenosos sarcasmos, silogismos sinuosos, travalínguas tântricos e maledicências absolutamente gratuitas, além de um calunismo social da pior espécie. Levantaria a moral das Hostes da Luz para que nos lançássemos todos, com entusiasmo, no fantástico abismo da batalha ideológica.
Tenho certo medo. Sabem por quê? Existem poucas coisas mais asquerosas que ter um blogue político, "os de direita, os de esquerda e principalmente os de marcha-ré." como dizia o outro. Blogue político deveria ser como sarna: você tem, gosta de se coçar mas não é bom ficar por aí espalhando. Uma discussão política, que coisa mais deselegante, para que tornar pública? Toda discussão política deveria ser feita no recôndito de seu lar, dentro de quatro paredes sem a presença de um outro ser humano. Ter um blogue político é ficar por aí, com uma cara de Paulo Silvino, mostrando: "Ó minha sarna, ó, tá vendo? Quer passar a mão? Ai, dá uma coçadinha pra mim, dá?" É muita promiscuidade, um coçando a sarna do outro. Blogue político deveria ser tratado como um problema de saúde pública. Sarnanpim neles, seu Oswaldo!
Agradeçamos todos ao Reinaldinho e suas leptospiroses amestradas por terem me mostrado a coisa hedionda que, no limite, este blogue poderia se transformar. Mas agradeçam muito à minha preguiça também. Se eu fosse um cocainômano, vocês tavam perdidos. Chamaria vocês de "tucanalhas" o tempo inteiro. Destilaria frases espirituosas como: "Olavo de Carvalho veio à Terra provar que um ser humano pode viver sem o cérebro". Lamuriaría-me pleiteando que quem votou no FHC sabendo que ele comprara deputados não tem o menor direito de se indignar com a lambança do PT. Podem rir, bater palminha, dizer bem feito! mas indignar-se, não. Escreveria coisas obscenas, que Deus é tremendo e Jesus tem parkinson. Diria que o verdadeiro herói é silencioso, o que quer que isso possa significar. Vararia madrugadas escrevendo 37 posts seguidos só sobre a ficha corrida do Abel Pereira. Cês tavam fudidos na minha mão. Ah, tavam. Então, agradeçam também, queridos leitores, à minha eterna padroeira Santa Preguiça do Caray. Amém ceis tudo?
"Agora só uma coçadinha" ou Alckimin desligou o transponder
Apesar da Veja estar jogando pesadíssimo como há muito tempo um veículo de comunicação não jogava; apesar do empurrãozinho sorrateiro (ou nem tanto) do resto da mídia; apesar da igualdade de tempo para Alckimin mostrar suas propostas; não é que é capaz do padreco ter *menos* votos do que teve no primeiro turno?
Eu nunca vi isso. Alckimin tinha tudo para crescer nas pesquisas agora que estava no mano-a-mano com o Luìs Nove-Dedo. Com o mesmo tempo no horário eleitoral, debates toda hora, entrevistas e tal. Das duas, uma: ou a campanha é muito mal feita e as propostas do Geraaaaallldo não chegam às pessoas. Ou as propostas chegam, e as pessoas deixam de votar no candidato.
E os ataques contra PT? O principal deles atenta até contra a lógica. "De onde vieram os milhões usados para comprar o dossiê falso?" esbravejam no rádio e na TV. Acho que é chamar o eleitor de imbecil. Todo pessoa adulta com um mínimo convivência com o espírito nacional sabe que o mais bobo dos políticos brasileiros conserta relógio no escuro usando luvas de boxe. Qual político gastaria milhões num dossiê falso? Um político burro, claro. Um político burro como você que está tentando me vender essa história?
E justo dizer que a queda de Alckimin não foi apenas um (de)mérito pessoal e do PSDB, vale lembrar o papel importante do gênio marqueteiro que inventou essa imbecilidade de privatização. Xuxu sentiu o golpe no narigão, foi para as cordas e até agora não conseguiu sair. Posou até com bonezinho da Banco do Brasil, da Caixa Econômica, da Caralhoaquatrobrás, coisa vergonhosa. Deve ter perdido voto até do Olavão nessa.
Mas a razão principal da queda , eu suspeito, é que a população não fala nada mas ela vê o Geraaaaallllldo na TV e fica lá, quietinha, matutando: Como é que um homem desses quer dirigir o País se não consegue nem repartir o cabelo direito?
Eu nunca vi isso. Alckimin tinha tudo para crescer nas pesquisas agora que estava no mano-a-mano com o Luìs Nove-Dedo. Com o mesmo tempo no horário eleitoral, debates toda hora, entrevistas e tal. Das duas, uma: ou a campanha é muito mal feita e as propostas do Geraaaaallldo não chegam às pessoas. Ou as propostas chegam, e as pessoas deixam de votar no candidato.
E os ataques contra PT? O principal deles atenta até contra a lógica. "De onde vieram os milhões usados para comprar o dossiê falso?" esbravejam no rádio e na TV. Acho que é chamar o eleitor de imbecil. Todo pessoa adulta com um mínimo convivência com o espírito nacional sabe que o mais bobo dos políticos brasileiros conserta relógio no escuro usando luvas de boxe. Qual político gastaria milhões num dossiê falso? Um político burro, claro. Um político burro como você que está tentando me vender essa história?
E justo dizer que a queda de Alckimin não foi apenas um (de)mérito pessoal e do PSDB, vale lembrar o papel importante do gênio marqueteiro que inventou essa imbecilidade de privatização. Xuxu sentiu o golpe no narigão, foi para as cordas e até agora não conseguiu sair. Posou até com bonezinho da Banco do Brasil, da Caixa Econômica, da Caralhoaquatrobrás, coisa vergonhosa. Deve ter perdido voto até do Olavão nessa.
Mas a razão principal da queda , eu suspeito, é que a população não fala nada mas ela vê o Geraaaaallllldo na TV e fica lá, quietinha, matutando: Como é que um homem desses quer dirigir o País se não consegue nem repartir o cabelo direito?
10.10.06
Invade aê! Dou o maior apoio.
Depois da recente explosão nuclear ficou mais que claro que a Coréia do Norte possui armas de destruição em massa. Afinal, ela mesmo fez questão de o anunciar (ao contrário do salafrário do Sadam que negou até o final). A Coréia do Norte, como o Iraque, possui um regime ditatorial brutal. E também como o Iraque faz parte do chamado "Eixo-do-MALLL". Não é certo?
Estamos esperando o quê? Não sei mais que razões e pretextos faltam para os EUA invadir. Naturalmente não seria uma determinação do Conselho de Segurança. Todo mundo sabe que diplomacia e sanções não adiantam nada, não é verdade? Então. Invade aê, mano, invade aê. Tamo só no aguardo. E, olha: boa sorte, viu?
--
Upideite: resposta de todas as indagações anteriores no excelente texto Uma bomba e nenhuma saída de Robert D. Kaplan. Longo, cheio de histórias, descrições, possíveis cenários, tudo que eu gosto.
Estamos esperando o quê? Não sei mais que razões e pretextos faltam para os EUA invadir. Naturalmente não seria uma determinação do Conselho de Segurança. Todo mundo sabe que diplomacia e sanções não adiantam nada, não é verdade? Então. Invade aê, mano, invade aê. Tamo só no aguardo. E, olha: boa sorte, viu?
--
Upideite: resposta de todas as indagações anteriores no excelente texto Uma bomba e nenhuma saída de Robert D. Kaplan. Longo, cheio de histórias, descrições, possíveis cenários, tudo que eu gosto.
4.10.06
Embraer 1 X 0 Boeing
(ou Santos Dummont 1 X 0 Irmãos Wright)
Exercício de imaginação geopolítica: E se um jatinho com brasileiros estivesse voando fora da rota correta e derrubasse um avião nos EUA? Que tipo de crise internacional estaria ocorrendo neste momento?
Exercício de imaginação geopolítica: E se um jatinho com brasileiros estivesse voando fora da rota correta e derrubasse um avião nos EUA? Que tipo de crise internacional estaria ocorrendo neste momento?
26.9.06
29.7.06
13.7.06
Nascidos em bordéis
6.7.06
Lições de vida
Livros que ensinam que as pessoas devem amar mais a si mesmas para ter uma vida mais longa são os livros mais perniciosos que existem, pois quem lê esse tipo de livro é idiota e, afinal, a quem interessa idiotas amando mais a si mesmos e vivendo cada vez mais e mais? Quem deseja narcisistas cretinos praticamente imortais?
25.5.06
O Nome da Cousa
Eu tenho uma mania estranha. (Tá, eu tenho várias manias estranhas. Não farei listinhas e que tais e depois as enviarei para 17 leitores pedindo cataloguem suas 17 manias mais estranhas e enviem junto com a resposta da pergunta "qual o nome do deputado que roubou papéis sigilosos da CPI dos correios e deu para a imprensa divulgar e ninguém deu a mínima pelota para a quebra de sigilo?" para a Caixa Postal do capeta e concorra a uma indignaçãozinha usada. Hoje falarei só de uma mania mesmo. Que nem é tão importante assim, é só à guisa de introdução para falar do livro da Fal. Bom. Onde estava? Ah, então, a mania…)
Eu tenho essa mania meio estranha. Mania antiga, dos tempos de moleque, dos tempos da coleção colorida dos Tesouros para a Juventude, não sei se vocês se lembram dela. Sempre que eu gostava muito, muito, de uma das histórias do livro eu deixava de ler as últimas páginas. Diversos livros, o Corcunda de Notre Dame, o Conde de Monte Cristo, os Três Mosqueteiros, todos ficaram com as últimas páginas incólumes, intocadas. E a mania persistiu na juventude. Não é um fenômeno que ocorre com os livros bons ou muito bons, apenas com aqueles que eu me identifiquei profundamente. Eu não li os finalzinho de dezenas de livros excelentes e que. Crime e Castigo, os Irmão Karamázov, O Jogo da Amarelinha, Cem anos de Solidão, a Bíblia…
É, naturalmente, um sintoma neurótico. Pois se o livro é genial, pra que abdicar do final? Justamente por isso, creio eu. Eu não quero que o livro acabe nunca. Quero que o universo criado pelo autor e compartilhado comigo não termine nunca, por isso essa procrastinação evitando a dor da facada do ponto final. É a suprema eternidade do livro inacabado.
Pois então. Isso tudo é para dizer que o livro novo da Fal, O Nome da Cousa, ficou semanas com a leitura com dez páginas por terminar e eu, incoscientemente, postergando, postergando. Significando o que?
Significa que o livrinho é duca! Eu rrrrecomendo efusivamente!

(Putz, não sei linkar direito. A imagem deveria levar para um sistema automático de compras mas acaba linkando para o flickr mesmo)
Um C&P básico:
"Advertência domingueira:
Cuidado com quem não sangra, com quem não tem nenhuma cicatriz, nenhum esqueleto no armário, nenhum corpo no porta-malas do carro, nenhuma marca do tempo e nem arrasta, vez por outra, umas correntezinhas pela casa mal-assombrada. Cuidado, sobretudo, com esses debilóides que repetem o que ouviram alguém mais debilóide ainda dizer "na vida só me arrependo do que não fiz".
Essa gente é um perigo.
Alguma coisa ali é péssima: ou a memória ou o caráter. Hum, ou ambos."
Do Blog para o Livro
A transição do texto que estava flutuando ciberneticamente na blogosfera para a materialidade de um livro é sempre uma espécie de assassinato. O texto inevitavelmente sufocará e morrerá no processo, e será encerrado em seu caixão de papel offset e capa colorida. Os amigos serão convidados ao velório do texto, também conhecido como "noite de autógrafos". Os escritos das orelhas do livro são as elegias. A contra-capa seu obituário. O texto que estava alegre e viçoso em seu blog passa a ter a vivacidade de uma florzinha que é colhida, guardada e esmagada no meio das páginas de um livro.
Porque um blog é uma coisa viva, meus caros. Ou vocês não repararam? O blog é uma coisa que a gente fala com ele e ele responde pra gente (têm uns que fingem que não ouvem, não se engane). Agora, experimente conversar com um livro pra você ver só. Os livros falam, mas não escutam. Livros, como estátuas, apenas aparentam estar vivos. Estão lá impávidos, com seus discursos petrificados, eternos e absolutamente surdos. E, ademais, o que são livros senão pequenos sarcófagos? O que são estantes de biblioteca senão grandes cemitérios? Eles estão mortos, embalsamados, they kicked the bucket, they shuffled off their mortal coil, rung down the curtain and joined the choir invisible! São um ex-papagaio. É necessário que se façam certos rituais para que os defuntos que jazem nos livros comecem a falar. E eles falam, falam bem, falam bonito, cousas muito louváveis e inteligentes. Mas falam com a pomposidade dos defuntos. Não me entendam mal. Livro é ótimo. Livro é genial. Livro é tudibom. Livro é fantástico porque eterniza, preserva os textos. Livro é para todo o sempre. Está lá escrito na lápide.
O blog, entrementes, é vivo e sendo vivo é efêmero. Esta é sua mágica. Um dia está lá todo inzoneiro, no outro dia já morreu, estagnou. Ou então - surpresa! - cresceu, amadureceu e até já vai no banheiro sozinho, ó que bonitinho. Todo blog passa por fases, períodos bons e outro nem tanto. Raríssimos são os autores que não oscilam de qualidade em seus textos ao longo dos anos. Quais os melhores blogs? Hoje são esses. Amanhã serão outros diferentes. E, vejam, não digo "amanhã" genericamente, digo daqui a 24 horas mesmo. Outra camada de posts surgirá e desbancará os belos posts de ontem. Pois é o que acontece: a maioria das pessoas lerá somente os últimos posts, que são as flores e as folhas que por último se estenderam em direção à luz. As vegetação antiga, os post velho, escurece e vai se tornar galho e tronco do blog. O blog é uma árvore que disputa darwinianamente a luz com as árvores dos blogs vizinhos. Folhas, flores, joaninhas, pintassilgos e os últimos comentários sobre o PCC, o futebol e a novela.
-
Um entomologista espeta a bela borboleta no mostruário. Não é mais borboleta, ela agora é lepidóptero. Colocar o texto esvoaçante de um blog na caixa apertada de um livro é um pequenino crime. Mas com a Falcita de las Canduengas esse assasinato, como o de Thomas De Quincey, é uma das belas artes.
A Fal é soberana da língua internética e O Nome da Cousa é excelente. Ele reúne registros agridoces de uma mulher muito sagaz e talentosa mas que parece destinada a ser uma eterna sparring da Vida.
Beijão, querida!
PS - Ah! Eu terminei de ler as últimas páginas e o nome da Cousa, para quem não sabe, é (SPOILER ALERT!) Janecildes Vieira de Mendonça e Carvalho, Jane, para os íntimos com a cousa toda.
-
PS2 - E, aproveitando o intervalo comercial, tem também o da Maira Parula, o NÃO FECHE SEUS OLHOS ESTA NOITE que eu ainda não li mas já adorei.
Eu tenho essa mania meio estranha. Mania antiga, dos tempos de moleque, dos tempos da coleção colorida dos Tesouros para a Juventude, não sei se vocês se lembram dela. Sempre que eu gostava muito, muito, de uma das histórias do livro eu deixava de ler as últimas páginas. Diversos livros, o Corcunda de Notre Dame, o Conde de Monte Cristo, os Três Mosqueteiros, todos ficaram com as últimas páginas incólumes, intocadas. E a mania persistiu na juventude. Não é um fenômeno que ocorre com os livros bons ou muito bons, apenas com aqueles que eu me identifiquei profundamente. Eu não li os finalzinho de dezenas de livros excelentes e que. Crime e Castigo, os Irmão Karamázov, O Jogo da Amarelinha, Cem anos de Solidão, a Bíblia…
É, naturalmente, um sintoma neurótico. Pois se o livro é genial, pra que abdicar do final? Justamente por isso, creio eu. Eu não quero que o livro acabe nunca. Quero que o universo criado pelo autor e compartilhado comigo não termine nunca, por isso essa procrastinação evitando a dor da facada do ponto final. É a suprema eternidade do livro inacabado.
Pois então. Isso tudo é para dizer que o livro novo da Fal, O Nome da Cousa, ficou semanas com a leitura com dez páginas por terminar e eu, incoscientemente, postergando, postergando. Significando o que?
Significa que o livrinho é duca! Eu rrrrecomendo efusivamente!
(Putz, não sei linkar direito. A imagem deveria levar para um sistema automático de compras mas acaba linkando para o flickr mesmo)
Um C&P básico:
"Advertência domingueira:
Cuidado com quem não sangra, com quem não tem nenhuma cicatriz, nenhum esqueleto no armário, nenhum corpo no porta-malas do carro, nenhuma marca do tempo e nem arrasta, vez por outra, umas correntezinhas pela casa mal-assombrada. Cuidado, sobretudo, com esses debilóides que repetem o que ouviram alguém mais debilóide ainda dizer "na vida só me arrependo do que não fiz".
Essa gente é um perigo.
Alguma coisa ali é péssima: ou a memória ou o caráter. Hum, ou ambos."
Do Blog para o Livro
A transição do texto que estava flutuando ciberneticamente na blogosfera para a materialidade de um livro é sempre uma espécie de assassinato. O texto inevitavelmente sufocará e morrerá no processo, e será encerrado em seu caixão de papel offset e capa colorida. Os amigos serão convidados ao velório do texto, também conhecido como "noite de autógrafos". Os escritos das orelhas do livro são as elegias. A contra-capa seu obituário. O texto que estava alegre e viçoso em seu blog passa a ter a vivacidade de uma florzinha que é colhida, guardada e esmagada no meio das páginas de um livro.
Porque um blog é uma coisa viva, meus caros. Ou vocês não repararam? O blog é uma coisa que a gente fala com ele e ele responde pra gente (têm uns que fingem que não ouvem, não se engane). Agora, experimente conversar com um livro pra você ver só. Os livros falam, mas não escutam. Livros, como estátuas, apenas aparentam estar vivos. Estão lá impávidos, com seus discursos petrificados, eternos e absolutamente surdos. E, ademais, o que são livros senão pequenos sarcófagos? O que são estantes de biblioteca senão grandes cemitérios? Eles estão mortos, embalsamados, they kicked the bucket, they shuffled off their mortal coil, rung down the curtain and joined the choir invisible! São um ex-papagaio. É necessário que se façam certos rituais para que os defuntos que jazem nos livros comecem a falar. E eles falam, falam bem, falam bonito, cousas muito louváveis e inteligentes. Mas falam com a pomposidade dos defuntos. Não me entendam mal. Livro é ótimo. Livro é genial. Livro é tudibom. Livro é fantástico porque eterniza, preserva os textos. Livro é para todo o sempre. Está lá escrito na lápide.
O blog, entrementes, é vivo e sendo vivo é efêmero. Esta é sua mágica. Um dia está lá todo inzoneiro, no outro dia já morreu, estagnou. Ou então - surpresa! - cresceu, amadureceu e até já vai no banheiro sozinho, ó que bonitinho. Todo blog passa por fases, períodos bons e outro nem tanto. Raríssimos são os autores que não oscilam de qualidade em seus textos ao longo dos anos. Quais os melhores blogs? Hoje são esses. Amanhã serão outros diferentes. E, vejam, não digo "amanhã" genericamente, digo daqui a 24 horas mesmo. Outra camada de posts surgirá e desbancará os belos posts de ontem. Pois é o que acontece: a maioria das pessoas lerá somente os últimos posts, que são as flores e as folhas que por último se estenderam em direção à luz. As vegetação antiga, os post velho, escurece e vai se tornar galho e tronco do blog. O blog é uma árvore que disputa darwinianamente a luz com as árvores dos blogs vizinhos. Folhas, flores, joaninhas, pintassilgos e os últimos comentários sobre o PCC, o futebol e a novela.
-
Um entomologista espeta a bela borboleta no mostruário. Não é mais borboleta, ela agora é lepidóptero. Colocar o texto esvoaçante de um blog na caixa apertada de um livro é um pequenino crime. Mas com a Falcita de las Canduengas esse assasinato, como o de Thomas De Quincey, é uma das belas artes.
A Fal é soberana da língua internética e O Nome da Cousa é excelente. Ele reúne registros agridoces de uma mulher muito sagaz e talentosa mas que parece destinada a ser uma eterna sparring da Vida.
Beijão, querida!
PS - Ah! Eu terminei de ler as últimas páginas e o nome da Cousa, para quem não sabe, é (SPOILER ALERT!) Janecildes Vieira de Mendonça e Carvalho, Jane, para os íntimos com a cousa toda.
-
PS2 - E, aproveitando o intervalo comercial, tem também o da Maira Parula, o NÃO FECHE SEUS OLHOS ESTA NOITE que eu ainda não li mas já adorei.
10.5.06
Mamãe Dolores
Já tentei assistir um capítulo inteiro de uma novela. De uma novela qualquer, qualquer novela, não importa qual. Jamais consigo chegar ao fim. Às vezes vejo uma cena ou duas, na terceira me sinto tão vilipendiado e açoitado pelas falas horríveis escritas de um modo porco e ditas de modo tão inadequado que desisto. Cada sentença proferida por um ator de novela é uma cotovelada no estômago, uma britadeira nos tímpanos, uma queimadura de terceiro grau nas mucosas. O esgar de sobrancelhas do ator ao arrematar a frase - sim, isso é interpretação! - é a cusparada final em minha alma vilipendiada.
Foi-me explicado que a seleção de atores para a teledramaturgia nacional tem o seguinte procedimento: eles dizem para o candidato pedir um café. Se o "um cafezinho, por favor" do calouro soar completamente falso e inverossímil então ele está imediatamente contratado; se a frase pronunciada empedrar instantaneamente o fígado do ouvinte e, ainda por cima, afugentar os cachorros do bairro, então já temos o protagonista da novela e cinco estrelas na porta do camarim.
---
PS - As línguas maledicentes insinuam que a escolha dos atores costuma ser feita através do teste dos descamisados e só passa quem tem barriga de tanquinho. Não é certo. Minha barriga, mais que um tanquinho, já é uma autêntica divisão Panzer e nem por isso recebi qualquer convite da Grobo.
Foi-me explicado que a seleção de atores para a teledramaturgia nacional tem o seguinte procedimento: eles dizem para o candidato pedir um café. Se o "um cafezinho, por favor" do calouro soar completamente falso e inverossímil então ele está imediatamente contratado; se a frase pronunciada empedrar instantaneamente o fígado do ouvinte e, ainda por cima, afugentar os cachorros do bairro, então já temos o protagonista da novela e cinco estrelas na porta do camarim.
---
PS - As línguas maledicentes insinuam que a escolha dos atores costuma ser feita através do teste dos descamisados e só passa quem tem barriga de tanquinho. Não é certo. Minha barriga, mais que um tanquinho, já é uma autêntica divisão Panzer e nem por isso recebi qualquer convite da Grobo.
2.5.06
Nefelibata de carteirinha
Para que toda essa arte abstrata aí se existem nuvens? Mesmo na mais pavorosa cidade há nuvens. Mesmo a massa cinza de uma nuvem amorfa ainda será dezenas de vezes superior a um Rothko, a um Pollock, a um Mondrian. A sua janela já é uma moldura. Aliás, minto. A moldura é que foi criada para assemelhar-se a uma janela. Veja as nuvens douradas do crepúsculo. As brancas-carneirinhas do meio-dia. As plúmbeas de chuva. Aquela parece um dromedário e a outra lembra o ex-ministro Reis Velloso. As descabeladas Cirrus radiatus; as translúcidas Stratus undulatus; as elegantérrimas Altocumulus; e, claro, as poderosas e imponentes Cumulonimbus, minhas preferidas. A natureza tem coisas bonitas pra caramba. As nuvens estão dando espetáculo permanentemente. Sem cobrar ingresso. É arte subsidiada vinda diretamente da palheta divina. Para que ficar sujando telas com arte abstrata, então? Só para movimentar a indústria de vinhos brancos horrorosos das vernisages? Nah! Não vale a pena. O cavalheiro aí do fundo levantará a mão e dirá que há pessoas que não têm janelas, que têm muros de tijolos altíssimos cercando suas casas; ou que existem pessoas vivendo em containers lacrados amarradas em cobertores de lã espessa. Mas será que essas pessoas, meu gentil cavalheiro, não têm sequer dinheiro para comprar um bom microscópio e colocar um inseto, qualquer inseto, sob as lentes em suas horas de lazer? Se o senhor quer arte abstrata de altíssima categoria repare nos detalhes dos omatídeos de um pirilampo comum. Ou, se houver pelo menos uma fresta de janela em sua casa, repare nas nuvens que passam agora sobre seu bairro. Deixem as paredes em paz, eu digo, elas são suas amigas, elas não fizeram nada contra vocês, não as queiram mal, não as torturem. Abdiquem da arte abstrata e vão olhar pela janela. As paredes agradecem.
Semana que vem: as 293 vantagens da lareira sobre a TV aberta.
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A pedidos:
The Cloud Appreciation Society
Cloud Types tutorial
Cloud Collector
25.4.06
O Colecionador da Linha Branca
Eu sei que o carro é um símbolo de status, de liberdade, do tamanho da genitália e tudo mais. É coisa muito apreciada, principalmente pelos machos da espécie. Mas pra mim automóvel é apenas um outro eletrodoméstico. Um videocassete que paga IPVA. Por isso nunca irei entender a paixão e devoção características dos apaixonados por automóveis. De todas as maluquices que os XY padecem essa é uma que decididamente não compartilho (creio que gostaria mais de carros se eles já viessem equipados com assento ejetor e buzina com barulho de metralhadora).
Todo amante de automóveis, é claro, gostaria de ser um colecionador de carros. Anseiam possuir um Jaguar negro, um Aston-Martin prata, uma Lamborghini vermelha ou um Maverick cor-de-abóbora em uma garagem bem grande. Eu fico imaginando essa coleção e o meu pensamento migra imediatamente para um colecionador de geladeiras, liquidificadores ou secadora de roupas. Logo imagino senhores empolgados que levam seus convidados a um enorme galpão onde eles guardam e expõe suas Figidaires vintages, suas Consuls classics e suas Brastemps maravilhosas de três andares e oito portas.
- Observem que maravilhas! Essa aqui é uma geladeira dinamarquesa de 1958. A gaveta de frutas é expetacular. Não se faz mais geladeiras assim, não senhor! Nenhuma resfria verduras como ela: repare como ficam geladinhas mas não úmidas. Esta outra aqui - que motor, meu caro, que motor! - tem o congelador que vai de 30 a 0 graus em 9 minutos e 32 segundos. Um fenômeno! Esta outra - você não vai acreditar - eu achei praticamente jogada em numa feira em…
Todo amante de automóveis, é claro, gostaria de ser um colecionador de carros. Anseiam possuir um Jaguar negro, um Aston-Martin prata, uma Lamborghini vermelha ou um Maverick cor-de-abóbora em uma garagem bem grande. Eu fico imaginando essa coleção e o meu pensamento migra imediatamente para um colecionador de geladeiras, liquidificadores ou secadora de roupas. Logo imagino senhores empolgados que levam seus convidados a um enorme galpão onde eles guardam e expõe suas Figidaires vintages, suas Consuls classics e suas Brastemps maravilhosas de três andares e oito portas.
- Observem que maravilhas! Essa aqui é uma geladeira dinamarquesa de 1958. A gaveta de frutas é expetacular. Não se faz mais geladeiras assim, não senhor! Nenhuma resfria verduras como ela: repare como ficam geladinhas mas não úmidas. Esta outra aqui - que motor, meu caro, que motor! - tem o congelador que vai de 30 a 0 graus em 9 minutos e 32 segundos. Um fenômeno! Esta outra - você não vai acreditar - eu achei praticamente jogada em numa feira em…
23.4.06
Aê, cabeção!
Por que escritores são sempre exibidos em fotos colocando a mão na cabeça? Já reparou? Sempre com um indicador ao lado da bochecha e os outros dedos flexionados, ou então apoiando o queixo nos punhos, ou segurando de algum modo a face, etc. Será que por ser escritor sua cabeça é muito pesada? Não é não. É falta de espinha dorsal mesmo.
20.4.06
Bola ou Búrica?
Está aberta a temporada de duelos. Como vocês já devem saber o jornalista e comentarista político Franklin Martins convidou o Diogo Mainardi, calunista social da Veja, para um duelo ao pôr-do-Sol. Se o Franklin Martins levar chumbo ele monta em seu cavalo e abandona a cidade. Por outro lado, se o revólver de Diogo se revelar uma pistola d'água ele deve nos poupar de sua coluna na Veja. Uma proposta muito corajosa de Kid Martins. Parece-me óbvio que o Diogo vai refugar. Pessoas que sempre gostaram de falar de Honra com a boca cheia, desta feita, estarão ao lado do covarde bôbo-da-corte. Compreensível.
Mas talvez vocês não saibam que a Mancha-Verde convidou o time do Palmeiras para um duelo, um jogo beneficente contra o time titular. Se a Mancha perder ou empatar ela pára de vaiar o time e pede desculpas aos jogadores. Já se o time do Palmeiras perder ele deve mandar embora alguns dirigentes e jogadores. Outro duelo que também não ocorrerá, mesmo porque há uma certa desproporcionalidade dos ônus e bônus. Uma pena.
Mas estou empolgado com este clima. Espero que a moda pegue. Sempre achei duelos uma coisa muito linda e muito chique. Muito me encantaria esbofetear algumas pessoas com minhas luvas de amianto e convidá-las a um embate de limeriques à vinte jardas.
Mas talvez vocês não saibam que a Mancha-Verde convidou o time do Palmeiras para um duelo, um jogo beneficente contra o time titular. Se a Mancha perder ou empatar ela pára de vaiar o time e pede desculpas aos jogadores. Já se o time do Palmeiras perder ele deve mandar embora alguns dirigentes e jogadores. Outro duelo que também não ocorrerá, mesmo porque há uma certa desproporcionalidade dos ônus e bônus. Uma pena.
Mas estou empolgado com este clima. Espero que a moda pegue. Sempre achei duelos uma coisa muito linda e muito chique. Muito me encantaria esbofetear algumas pessoas com minhas luvas de amianto e convidá-las a um embate de limeriques à vinte jardas.
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