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15.1.03

Rápido. Preciso descrever a cena que estou vendo agora antes que eu fique muintho bêubado...

...droga.... tarde demaix.............

14.1.03

Todos estavam muito tristes, sentados em torno de um aparelho de TV sem tela, lamentando o falecimento de Julinho Botelho e Maurice Gibb.

Eis que o Maurício nos mandou este mot d'esprit pelo D-D-Drim:

"Ele não era filatelista mas queria sê-lo"

Então todos se rejubilaram e quebraram os lacres dos odres de vinho de tâmaras.

13.1.03

Mas devo confessar que os primeiros dias no balão foram curiosamente interessantes.

Cada dia eu acordava em uma cabeça. Tinha sede, mas quando bebia a água ia parar no estômago de outra pessoa e a secura continuava. Demorei algum tempo para acordar em mim mesmo. Quando acordei estava imundo e o braço não era o meu. Só tinha guaraná Taí e Colubiazol para tomar banho. Saí desinfetado da bacia. Nenhum germe sobreviveria ao guaraná Taí.

Zé Luiz pilotava o balão com seu Joystick e Anselmo com a telepatia do Lair Ribeiro. Cada um tinha a sua função. A minha era utilizar os óculos de Lewis Carroll para descobrir formas de vida inteligente no radiador principal.

12.1.03

db 29.

Que loucura. O Ratapulgo fez pacto com o Xico Chavier ou anda se consultando com
o Robério de Olodum. Bem que avisei à Selma que poderíamos sofrer intervenciones de hackers espirituais. Eis aí. Agora não adianta derrapar no leite jorrado. Estamos diante de um cara iluminado que lê psicografias bloguianas apagadas minutos depois de
publicadas. Cosa de lôco.

Depois dessa pedi ao Jorge que enrolasse um baseado mostruoso,
misturando ao cânhamo restos do entulho do muro de Berlim capturados
na nossa última parada. Jorge escolheu um pedaço de pedra com a
inscrição "Solange esteve aqui". Junto, dechavou um casal de prestobarba enferrujado doado por Anselmo, enrolando tudo numa página dos " Fragmentos de Sabonete" do Jorge Mautner. Escolheu a dedo o capítulo que trazia Jimmy Hendrix a caminho de Mozart, usando a prerrogativa heracliteana que os divergentes consigo mesmo concordam. Jorjão comprou a idéia, queria que fosse um baseado-kaos, que se fumado lembraríamos do tempo em que ficamos rodando em círculo - ou círculos, a gente ainda não descobriu isso - sobre os céus de Moçambique. Na hora de fechar deu a idéia de trocarmos a saliva pela mostarda, para que a coisa tivesse algum sabor. O grupo aceitou, acendendo a bagaça no fogo que saía de um dos bujões de gás do balão.

A coisa rodou na carioca. Anselmo teve o azar de tragar parte do plástico azul do seu antigo barbeador, mas o resto foi bem. A ponta enfiamos no congelador.

Celeste deu bandeira que aquilo tinha começado a pegar. Entrou com um assunto totalmente merda. Observando o azar de Anselmo questionou as diferenças do acaso. Aquela velha estória de por que algumas coisas acontecem para uns e para outros não? Ignoramos a menina e fomos à varanda da cestinha respirar o ar de New Jersey.

- Uia!, gritou Jorge.

Anselmo - Olha o quê?
Jorge - Aquela luzinha.
Anselmo - Quê luzinha?
Jorge - Aquela.
Anselmo - Não tô vendo luzinha nenhuma.
Selma - Eu também não.
Jorge - Não?
Selma e Anselmo - Nãos.
Jorge - Ali. Bem ali.
Selma - Ah, verdinha?
Anselmo - Ah, é.
Jorge - Não, é azulzinha.
Selma - Ah, a azul.
Anselmo - Qual?
Selma - A azul.
Anselmo - Ah.
Jorge - Muito louca, né?
Selma - Muito louca.
Anselmo - Mais ou menos.
Selma - É, não é tão louca assim.
Jorge - É...

Após um breve silêncio.

Eu - Porra Jorge, você tá em pé?

Silêncio.

Celeste - É, tem certas pessoas que tenta consertar as coisas no meio da estória porque se esquece das características básicas dos personagens. Daí fica essa zona. Toca a enfiar frases no diálogo que não tavam no contexto dando uma bandeira de descaso terrível.
Eu - Tudo bem, Celeste. É comigo, né?
Celeste - Claro, porra. Esse seu diário tá com barrigas absurdas. Personagem merece respeito. Até os nossos nomes você esquece.
Eu - Isso foi o Ratapulgo quem trouxe à tona. Eu tinha apagado essa parte.
Celeste - Uma hora é o Ratapulgo o culpado outra hora é a manguaça do reveillon.
A gente merece respeito.

Celeste tirou um batom vermelho do bolso e escreveu em sua testa a palavra respeito
de trás para frente. O resto do grupo concordou com ela, passando todos a escrever respeito em suas próprias testas e a me olhar com aquelas caras de ambulância. Mais uma vez embichei.Virei as costas para o grupo e fiquei observando uma luzinha laranja muito louca que piscava nos os céus de New Jersey.

Não gosto de briga.
























11.1.03

Oi. Depois de algum tempo voltei a postar pelo Laptop da Celeste.

...um gosto de de azinhavre e kichute molhado na boca...

A primeira coisa que estranhei é a intensa claridade daqui de baixo. Todas as paredes foram pintadas de branco. Havia neon escorrendo das frestas.

Jorge agachado em uma cadeira de balanço com um radinho de pilha na orelha cantarolava o hino do Santos. Aquela menina que não lembro o nome girava em círculos com um negócio que parecia uma cinta abtrônic na cabeça. Celeste sumira. Anselmo dormia o sono dos injustos. E o Zé Luiz acabara de descobrir que a tatuagem das costas da menina era um mapa para o esconderijo de um tal promotor e girava em torno dela com uma lupa. Minha cabeça era uma rolha de champanhe, prestes a ser ejetada do corpo.

Foi aí que soltaram uma música muito alta e tudo começou a balançar...

10.1.03

Mais uma do SSS: O fulano disse que apanhar da mulher é muito ruim porque a gente vicia fácil e depois não consegue ficar sem.
...

... Assim que a dor de cabeça diminuir eu posto mais....

... O porquê de eu estar com um capacete de futebol americano do Dallas Cowboys e uma meia de faixinhas coloridas na mão esquerda será motivo de profunda investigação...

... amanhã ...

... ai...

8.1.03

(Db28)

O engasgo foi geral. Após gargalharmos durante 32 dias seguidos, Celeste veio
com uma dessa: " Por que será que não sinto a menor falta do meu noivo? "
Caralho! Mais 12 dias de risadas.

7.1.03

Então isso aqui num é Paquetá? Será que o Flávio tem razão? Bem que eu estranhei a cor do mar. E o cara trepando com as melancias. Ops, o cara das melancias é Paquetá sim! Super Paquetá. Acho que o flávio também tomou o bagulho. Cadê a minha coleira? E esse macacão? Porque que eu não lembro de nada nas últimas duas semanas? E essa dor aguda quando eu sento? Cadê as melancias? Cadê o Zé? Cadê?
Então isso aqui num é Paquetá? Será que o Flávio tem razão? Bem que eu estranhei a cor do mar. E o cara trepando com as melancias. Ops, o cara das melancias é Paquetá sim! Super Paquetá. Acho que o flávio também tomou o bagulho. Cadê a minha coleira? E esse macacão? Porque que eu não lembro de nada nas últimas duas semanas? E essa dor aguda quando eu sento? Cadê as melancias? Cadê o Zé? Cadê?

26.12.02

Como ninguém saiu do barco até agora e também ninguém atende o celular, tomei coragem e decidi:

Vou entrar lá.

Já peguei o laptop da Celeste, uma medalhinha de São Cosme e Damião e um pacote de biscoito maisena.

Boa sorte pra mim.

Se ninguém tiver notícias minhas durante uma semana, por favor liguem para a Gaby e digam que ela sempre foi a mulher da minha vida. Obrigado.

23.12.02

AGORA ENTENDI TUDO!!!!!
DESCOBRI AONDE ESTÃO OS CARAS!!!!!!

Que Paquetá o cacete! Estavam aqui o tempo todo. Debaixo do meu nariz!

Sabem a carteira que eu fui pegar no Galpão do Zé lá no Glicério? Pois é.
O Waldir (sempre com aquela cara de entojo) entregou a bendita pra mim. Ele tinha passado só um paninho por fora, por dentro ela estava toda melecada com aquela gosma verde do ponche. Quando eu fui dar uma geral no conteúdo pra ver o que dava pra salvar (todos os cartões sobreviveram, mas o talão de cheques ficou uma coisa muito triste) eu reconheci o cheiro daquela gosma. NÃO era ponche de abacate. Aquilo é uma batida de cogumelos alucinógenos. Igual àquela que o Zé Luiz tomou antes de descer a Estrada Velha de Santos de carrinho de rolemã. Naquele dia o Zé também não contou nada pra mim e acabei descobrindo pela Sandra que entrou na minha casa - totalmente chapada - pensando que era um cabeleireiro e pediu um tingimento roxo.

Daquela vez me lembro do frio que passamos de noite na Serra do Mar procurando o Zé com umas lanternas vagabundas na neblina. Lembro-me também mais tarde do Zé rindo feito um arara no cio, ainda sob os efeitos dos cogumelos, enquanto eu tomava três injeções anti-rábicas na barriga. Se um chazinho tinha feito tamanho estrago na sanidade já abalada do nosso amigo Zé Luiz, imaginem o que não fez essa gigante tigela dessa pasta de cogumelos?

Eu já disse aqui que o Zé Luiz é um débil mental de beijar PM da ROTA na boca durante batida, mas não imaginava que ele chegaria a esse ponto. Sabe os confetes, aqueles molhados, espalhados pelo Galpão? Eram cartelinhas de LSD. Ninguém me contou. Eu fui lá no Galpão e vi. Ainda tinham várias espalhadas. E ecstasi, provavelmente. Ai, eu cismei. Cheguei mais pra perto daquele barco e comecei a escutar ruídos meio abafados: risadinhas, resmungos, às vezes choramingos...

Sabe o que aconteceu? O Zé, o Anselmo, o Jorge, aquela menina metaleira filha da chacrete, que eu nunca lembro o nome e a Celeste entraram na porra do barco-cesta-de-balão e estão lá dentro até agora!!! Como é que eu sei? Eles estão todos vestidos com os macacões térmicos nas fotos Polaroid pregadas no mural de aviso do Galpão. Todos com um sorriso de beatitude bastante suspeito (exceto o Zé que estava com cara de quem ia espirrar). Provavelmente completamente equipados dentro do balão com comida para mais de três meses, se bem me lembro do manual.

Bati algumas vezes no casco e não obtive resposta. Bati com mais força e juro que ouvi gritarem lá de dentro: "Capitão, estamos sendo atacados! – São os mísseis de Vardok, ele não desistirá! – Tenente Anselmo toda força para estibordo!" e depois uma gargalhada que mais parecia um choro. Ou vice-versa.

Não sabia se chamava os médicos, os bombeiros, os australianos ou um advogado pra mim. Mas quando comecei a escutar cantigas de roda vindas lá de dentro acabei me tranqüilizando. Resolvi voltar pra casa. Amanhã decido o que fazer. Afinal, eles não vão pra lugar nenhum. Espero.

21.12.02

Acharam minha carteira. Waldir, o zelador do Galpão, disse que encontrou ela dentro do ponche (yechh!).

Passo no fim da tarde para buscar, assim que tirar o gesso da perna.

Fora isso, nenhuma notícia do Zé Luiz.
Liguei até para o pronto-socorro municipal de Paquetá.

No news is good news. Deve estar tudo bem.

Eu acho.

20.12.02

Quer saber? Tá todo mundo em Paquetá, né?

Estou mandando o manual por email pra vocês. Mandei uma cópia pro site dos australianos. Estou livre.

Qualquer coisa vocês sabem onde me encontrar:
Na última cadeira à esquerda do cine Lumiere II com o gesso apoiado na cadeira da frente, comendo fandangos murchos.

Evoé. Aí vou.

18.12.02

E ela levou a carteira também? O meu celular ela também levou, e o do Zé não responde desde que a Nossa Senhora Aparecida apareceu. Quanto ao galpão, ninguém sabe, porque o pessoal da ZL baixou lá e fomos todos pra Paquetá. Eu o Zé e os cara.
Dá um pintão.
E mais uma coisa:

CADÊ MINHA CARTEIRA???
Pelo que soube a Baixada do Glicério inundou de novo.
Será que o sumiço geral tem a ver com isso?

Geralmente sou eu o primeiro que eles chamam nessas emergências.

O que está acontecendo??
Voltei pra casa de taxi.

Hoje não consegui falar nem com o Maurício, nem com o Zé, nem com ninguém.

Os telefones só na caixa postal.
Cadê todo mundo!!!!!!!

Alo-ou........... ...........

17.12.02

E o Nelsinho contou:

--- Fala moçada !
Pô faz tempo que agente não se fala.Deixa eu contar uma coisa louca que eu vi ontem. Eu tava na avenida Paulista...( fui comprar um sonsinho de natal pro João Pedro )... e enfrente ao Conjunto Nacional , tinha uma tribo muito loca . Eram mais de dez figuras , com uma espécie de uniforme muito incomum , tocando uns intrumentos mais locos que eles ( sonzaço ) .
--- Bem ...! Aí , eu perguntei pro pessoal em volta,da onde eram aquelas peças raras. Me disseram que era de algum lugar perdido no norte da Africa e que vieram ao Brasil, atrás do nosso glorioso futebol .( uma tribo fazendo turismo ... que maluco heim !? ) .
--- Meu chapa , o som dos caras era maravilhoso, vibrante , e eu me lembro bem da frase em um dialeto estranho que eles gritavam repetidamente ... era mais ou menos assim :'' SOTNAS OÉ ALOB A ÁD MEUQ AROGA ." --- Genial !!
É mês? Tem TV no balão? É o balão mágico? Quem é a Simoní? Cadê o meu chucola?